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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Carta para Rafael - Fim do primeiro ciclo, novos exames e mudanças



Bom dia meu amor! Neste momento você está dormindo com a mamãe na cama e não posso me levantar se não você acorda, ultimamente você está com a mania de dormir encostado em mim e qualquer movimento estranho, abre os olhos, confere se estou ao lado e volta a dormir, muito fofo. 


Sexta passada a mamãe saiu bem cedo lembra? Foi o dia da última quimioterapia do primeiro ciclo e é muito engraçado explicar esses ciclos porque todo mundo fala: 

" - Uai, a quimioterapia acabou, mas não acabou? Como assim?" 
O protocolo que a mamãe está fazendo, são 3 medicações: um marcador, um bloqueador e um quimioterápico que mata as células cancerígenas (mais fácil entender) e fiz 6 sessões assim. 
Agora, vamos repetir um exame que vai mostrar que está tudo ótimo e respondi bem a medicação e vou fazer a cirurgia de retirada da mama (pânico sempre que penso nisso) 
Assim q recuperar da cirurgia, faço radioterapia (que talvez não precise) ou mais 12 seções de quimioterapia! (Parte que ninguém entende... rsrsrs) 
Essas 12 sessões são só com o marcador e o bloqueador, mas não deixa de chamar quimioterapia porque toda administração de medicação tem este nome entendeu? 




Enquanto o plano de saúde não autoriza o novo exame, fico pensando em quanto tempo ainda vai demorar para eu fazer a cirurgia e também penso no tanto que mudei até aqui, não só fisicamente com a perda dos cabelos, cílios e sobrancelhas, mas internamente também... 

As vezes penso que continuo a mesma de antes, mas as vezes percebo que não, é muito difícil passar por tudo que estamos passando e não mudar...

Estou mais calma, dei uma desacelerada... principalmente em relação ao trabalho, amo o que faço e isso não é novidade pra ninguém e ficar longe dele está sendo um dos meus maiores desafios. As vezes minha chefe chama minha atenção e me manda focar no tratamento ou em você, fala para não me preocupar e parar de pensar em trabalho. Que trabalho? Pra mim é um prazer! 

Também estou bem mais desapegada das coisas, o que é incrível porque sou taurina e uma das características desse signo é ser apegado, ciumento e não gostar de mudanças, ou seja, acho que terei de mudar de signo... rsrsrs.




quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A Violência Sexual que Ninguém Conta


Foi num banheiro feminino de um centro cultural, era fim de noite numa cidade agitada, poucos minutos para os portões fecharem, após o dia muito animado e todas as programações feitas pela amizade, as amigas entraram juntas. Entre essas conversas que rolam entre o rodízio no banheiro descobriram: de um grupo de quatro amigas, três delas sofreram algum tipo de violência sexual na infância e/ou juventude. 

Sabe aquelas estatísticas que você insiste em ignorar? Sabe aquela dor que você guarda no peito por achar que a culpa era sua? Afinal, a sociedade faz isso muito bem! A culpabilização da vítima. Sabe aquele arrependimento por não ter contado para ninguém? Ou aquele medo de contar? Sabe aquele nojo que você tem de si própria? Do seu corpo? Sabe aquele problema de prazer sexual que você ainda não conseguiu superar? Aquele medo de andar sozinha na rua? O medo do escuro? Do desconhecido?

Talvez só quem passou por alguma violência sexual vai entender essas questões, porque elas invadem nosso pensamento vez ou outra. Quando alguma coisa não vai bem elas aparecem, atormentam nossa mente. E mesmo que as terapias ajudem, que os divãs façam bem, há memórias que não desaparecem. Podem ser digeridas de alguma forma, mas o velório, curto ou longo, sempre precede o enterro.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Você conhece a Dança Materna?


Nós amamos nossos filhos, fato! Mas isso não nos impede de querer ficar longe deles 5 minutinhos, de ter um tempo só para nós.
Eu, como mãe de duas, as vezes preciso de sossego (o que ainda não foi possível desde que a Maria nasceu, rs).

Então, quando Maria tinha 3 meses conheci a Dança Materna.
Sim, eu queria ter um momento pra mim e eu tive, mas de uma forma diferente: conectada como nunca com a minha filha! Maria e eu tivemos um momento único, relaxante, proveitoso, divertido. Senti todo o amor do mundo por uma pessoinha tão pequena, tudo canalizado naquele momento.

Maria com 6 meses

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Carta para Rafael - Outubro Rosa, palestra, entrevista e algumas perguntas sem respostas.

Bom dia, meu amor! Como você consegue estar cada dia mais lindo, esperto e fofo? 
Não sei se você percebeu, mas a mamãe está um pouco pensativa esses dias, vou te contar o motivo: 

O primeiro ciclo da quimioterapia está acabando e vou repetir alguns exames para saber como o organismo reagiu a medicação e em seguida fazer a cirurgia da retirada de mama.
Estou muito ansiosa com o resultado dos exames e mais ainda com a cirurgia.
Sempre tive tudo muito programado na cabeça e ter que esperar o resultado dos exames para saber exatamente como será a cirurgia, tem me deixado ansiosa.
A gente se prepara para perder os cabelos, os cílios e sobrancelhas, mas é muito difícil se preparar para perder o peito. Eles fazem a reconstrução? Sim, mas não é só isso... é muita dúvida, muitas perguntas sem respostas e tenho que esperar! Uma das coisas que tenho aprendido com o tratamento é ter paciência.
Ninguém falou que seria fácil e não posso reclamar de nada! Qualquer reclamação, estaria sendo injusta com Deus. 


quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Trabalhando Longe do Filho

Quando a maternidade chega, nasce com ela vários desafios e conflitos. Aquela mulher, cheia de sonhos e desejos, vê sua vida dividida entre as muitas tarefas e responsabilidades que assume, seus mais ousados planos pessoais e profissionais e um ser tão imaturo e dependente.

É tão comum ouvirmos uma mãe afirmar que perdeu a própria identidade com a maternidade. Acredito que esse é um dos grandes desafios da maternidade: não se anular, não desistir dos próprios sonhos, não desistir de fazer tudo o que sempre desejou.

No começo pode ser mais difícil, mas com o tempo a gente aprende a fazer a gestão dessa nova mulher.

Um dos desafios que tenho vivido este ano é o de trabalhar longe do filhote (que já está com quase 7 anos). E já tenho conseguido fazer isso sem culpa!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Embrião e vesícula vitelina não visualizados no ultrassom


Descobrir a gravidez é um mix de sentimentos!  Eu começo a tremer, sem saber o que fazer. Não sei se rio ou se choro. Para quem queria um bebê, é uma alegria sem fim. Para quem não estava planejando, é um susto enorme!
Mas, planejando ou não o bebê, todo mundo sabe que quanto antes começarmos o pré-natal, melhor para a mãe e para o bebê. Então, lá vamos nós... Milhões de exames de sangue (tiraram 6 vidrinhos de mim nos primeiros exames) e ultrassonografias.

Minha segunda gestação

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Carta para Rafael - Viver e não ter a vergonha de ser feliz.

Boa tarde meu amor, a vida é muito engraçada e algumas coisas, por pior que pareçam ser, fazem a gente refletir. 

Muitas coisas na vida fazem parte da nossa rotina e a gente faz totalmente no automático. Desde que você nasceu e a mamãe recebeu o diagnóstico de câncer de mama, só tenho saído de casa para ir em algum médico ou quimioterapia, te levar na pediatra, ir a missa, ao centro espirita e em Sabará fazer tratamento espiritual com o Dr. Fritz.

Outro dia o papai ia trabalhar no final de semana e não ia conseguir levar a Arya - sua irmã peluda - para tomar banho e eu levei. 

Acordei cedo no sábado, tomei banho, arrumei a sobrancelha que está bem falhada, passei um protetor solar (coisas que eu nunca fiz antes), peguei a Arya e saí, um pouco na dúvida se ainda sabia dirigir, rsrsrs.
Entrei no carro e o rádio ligou automático na rádio CDL e estava tocando "Café com Rock". Oi?! Aaaamo Rock!!! Que delíciaaaaa! Já estou enlouquecida, cantando e emocionada indo levar a cachorra pra tomar banho! Eu fazia isso todo sábado, qual a novidade? Porque tanta emoção? Estou viva! VIVAAAA! Isso é muito bom! 



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Carta para Rafael - Cateter para quimioterapia, portinha da cura, amigo do peito.


Boa noite meu amor, ontem fiz mais uma sessão de quimioterapia usando o cateter e vou te contar o que é um cateter.

No primeiro dia de quimioterapia, o tio Enaldo olhou meus braços roxos pelos exames e falou: 

- "Os enfermeiros vão te indicar a colocação de um cateter para quimioterapia, ele é colocado no bloco cirúrgico, é totalmente implantado e pode ficar em você durante anos!" 

- "Colocar o que? Como assim? No bloco cirúrgico?" (pânico na minha voz)

Fui para o box receber a medicação e a Carlinha (fooofa), uma das coordenadoras de enfermagem me recebeu e comentou depois de olhar minhas veias: 

- "O Dr. Enaldo te falou sobre a colocação do cateter?"

- "Falou, mas não gostei da ideia, não gosto de cirurgias!" 

- "Vou te mostrar um, ele é VIDAAAA!" 

Passou um tempinho e ela chega com uma engenhoca redondinha com um caninho, que para mim lembrou um estetoscópio.

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Estou esgotada!

Porquê? Porque eu sou de verdade!
Simples!

Eu sou a Aline que vocês lêem aqui, em cada vírgula. Compartilhar a minha prática que prioriza sim a maternidade, empreendendo em todas as oportunidades que abraçamos com o Mamãe Sortuda, esgota! As pessoas ignoram o quão exaustivo é o cuidado dos filhos talvez porque seja mágica e sortuda essa oportunidade em tempos de uma terceirização necessária dessa responsabilidade.


quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Você tem Vocação para a Maternidade?

Outro dia fiz umas enquetes nos stories do Instagram Mamãe Sortuda e fiquei impressionada com a convergência das respostas das mulheres que participaram com minhas reflexões pessoais.

83% das mulheres responderam que já se perguntaram se têm vocação para a maternidade e 62% também responderam que só fizeram este questionamento após a maternidade. 

Por que será que não nos perguntamos ao longo da vida se devemos ou não ser mães? Se é isso que queremos ou não? Se não vamos surtar depois que as crianças estiverem correndo pela casa? Se temos essa "vocação" para a maternidade? 

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Maneiras criativas de anunciar a gravidez


Coisa gostosa é contar aos amigos e parentes que um bebezinho está por vir! Sempre me emociono com comunicados, surpresas, imagens na internet, dentre outros. Vale usar a criatividade para anunciar essa novidade!


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Carta para Rafael - Mamãe camaleão, família e amigos

Bom dia meu amor, você acabou de mamar quase tudo e acredito que os efeitos da vacina estão passando, porque você voltou a ter apetite!
As vezes você fica encantado olhando para meus "cabelos" coloridos enquanto mama e vou te contar o porquê deles estarem cada dia de uma cor!

Na primeira consulta com o tio Enaldo oncologista, um pouco antes de iniciar a quimioterapia, ele deu todas as orientações e falou dos possíveis efeitos colaterais. Falou que os cabelos iam cair com certeza.
Eu tinha ido ao salão, feito as unhas e uma escova bem linda para mostrar que estava mais que preparada para iniciar o tratamento. 
Naquele momento, já sabia que os cabelos iam cair e incrivelmente já tinha desapegado. No início ia deixar cair naturalmente, mas resolvi cortar curtinho para sentir menos a queda. 


Seu pai tinha certeza que eu ia ficar arrasada sem meus lindos cabelos longos e eu tinha certeza que não, mas mesmo assim ele quis mandar fazer uma peruca com meu cabelo. 
Engraçado que conversando com a tia Dani, que passou por um tratamento parecido com o meu, ela falou: 

"- Olha Cacau, o lance do cabelo é mais importante do que você imagina. A queda total deprime sua família. A peruca dá uma sensação de normalidade e a gente vai levando a vida."

A primeira vez que senti isso foi no salão um dia antes de iniciar a quimioterapia. Cheguei e contei para o tio Wilson que é meu cabeleireiro desde pequena o que estava acontecendo e que precisava de um corte curtinho, que não precisasse de escova e ele ficou muito chateado, tão chateado que nem despediu de mim direito. Na hora de ir embora, ele falou que precisava resolver um problema e saiu engasgado, eu sabia que ele ia chorar. 

"- Cabelo cresce!" 

Falei com ele, mas não adiantou. Ele ficou triste e sei que chorou outras vezes falando sobre o assunto, mas acredito que ele ficou triste por mim e nem tanto pelo cabelos. 

Com isso, resolvi poupar o tio Wilson de cortar meus cabelos e fui na NTC Soluções Capilares -  salão especializado em perucas para cortar e mandar fazer. 
Fui com a tia Lu e chegando lá encontramos com a tia Pri na porta esperando a gente. 
As meninas do salão são muito fofas e atenciosas, sentei na cadeira e comecei a contar o que estava acontecendo e fiquei engasgada, mas rapidinho me recompus, a tia Cíntia chegou em seguida e elas começaram a experimentar todas as perucas do salão e a fazer uma bagunça danada. Eu estava concentrada e achando muito legal a empolgação delas!



Deus coloca em nossa vida as pessoas certas e a presença delas ali fez toda a diferença, porque quando vi meu cabelo curtinho, gostei tanto que comecei a ficar com dó dele cair, acredita? Só eu mesmo! 
A dona do salão resumiu bem o momento com a frase: 

"- Quem tem amigos tem tudo!"  



Cheguei em casa me achando linda e a vovó e a tia Míriam deram um ataque quando me viram: 

"- Nossaaaa, você ficou lindaaaa! Rejuveneceu 10  anos!" 
 
"- Achei que você ia chegar aqui careca, ficou muito bom com o cabelo assim!" alívio na voz da vovó 

O tempo passou e fui buscar a peruca, o papai foi comigo, fomos em um outro cabeleireiro  especialista em corte de peruca e ficou linda, perfeita, mas por incrível que pareça, me olho no espelho com ela e lembro que estou fazendo tratamento. Sempre amei lenço e comprei vários, a vovó fez várias combinações e eu e você adoramos, porque você me olha sempre com uma carinha de: "mamãe, você está linda!"


O novo protocolo da quimioterapia não agride tanto o corpo e tem efeitos mais leves, a enfermeira falou que os cabelos vão voltar a crescer e já estou ansiosa para ter cabelos novos, Diz ela que no início vou ficar parecida com um Kiwi e comecei a achar os Kiwis lindos!





segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Apresentação Nova Colunista: Camila Caldas

fisioterapeuta, mamãe sortuda, reikianaSou Camila, tantas em uma só! Sou filha, neta, sobrinha, irmã. Sou amiga, esposa, dona de casa, mãe de duas meninas e de um cão labrador! Fisioterapeuta, sócia-proprietária de um Studio de Pilates e Reikiana! Em transição capilar (quero meu ondulado de volta) e em processo de reeducação alimentar.

Hoje concilio todos esses papéis buscando a minha melhor versão.

2018 tem sido um ano de intensas mudanças.

Compartilharei com vocês um pouco dessas buscas e transformações, desse novo encontro comigo mesma, além de informações sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida sob o olhar da Fisioterapia.

Ao escolher minha profissão, me inspirei em uma tia, que também é Fisioterapeuta. Quando criança, durante as férias que passava com ela no interior, eu a acompanhava em seus atendimentos e ali surgiu o amor pela área da saúde e o encanto pela Fisioterapia.

Logo que me formei, em 2011, optei por fazer o curso de formação em Pilates e desde então, me tornei apaixonada por esse método e fã de Joseph Pilates (seu criador). Ser "professora" de Pilates vai muito além de instruir a pática de um método. Promovemos saúde, reabilitamos, cuidamos, acompanhamos transformações e , muitas vezes, participamos tanto da vida dos nossos pacientes, alunos, clientes, que nos envolvemos em suas histórias encorajadoras e inspiradoras, aprendendo muito todos os dias!


mãe que faz pilates, pilates em contagem, fc pilates
Nesses 7 anos de vivência com o método Pilates, pude perceber que as mulheres são nosso maior público. E então me concentrei nos estudos sobre a Saúde da Mulher, desde adolescentes até as idosas, passando pelas etapas da vida adulta, como gestação, pós parto, climatério, menopausa


E agora começo a me dedicar, também, aos estudos das terapias holísticas, que tanto me auxiliaram e contribuíram para o meu desenvolvimento em várias fases da vida.




Será um prazer contribuir para a promoção de saúde, bem estar e qualidade de vida através do Mamãe Sortuda e dividir com vocês os desafios e as maravilhas da maternidade que hoje divido com uma filha de 11 anos e outra de 3 anos!

Vem muita coisa por aí!

Gratidão!




segunda-feira, 23 de julho de 2018

Carta para Rafael - Quimioterapia, efeitos e aniversário do vovô


Boa noite meu amor! Essa noite você vai dormir mais tranquilo? Na noite passada você deu trabalho porque ficou com saudades da vovó? Ela precisa ir na casa dela de vez em quando cuidar da tia Lu e do vovô também, nós não podemos ser egoístas!
Você sabe porque a vovó está ficando aqui com a gente direto? Vou te contar... 

A mamãe começou a fazer quimioterapia, fez a primeira no dia 15/06/18, era uma medicação vermelha e muito forte, dizem que pode dar muitos efeitos colaterais e a primeira semana é a mais complicada. 
A mamãe sentiu um pouco de enjoo, braços e pernas pesados e também faz os cabelos caírem, o da mamãe começou a cair com 13 dias.

Fase vermelha, quimioterapia, câncer de mama


Essa quimioterapia também pode fazer a imunidade baixar e a única recomendação do médico foi: 

- "A única coisa que ela não pode ter é febre acima de 37.8°, se isso acontecer, venha com ela imediatamente para o hospital." 

Mais ou menos 10 dias depois da quimioterapia comecei a ter calafrios e ao medir a temperatura:, 38.0°. Fomos para o pronto socorro e precisei ser internada, era uma terça feira e só podia ter alta se a medula respondesse bem e a imunidade voltasse ao normal. Para isso acontecer não podia mais ter febre e então decidi que a febre não ia voltar e a medula ia responder direitinho. No dia seguinte, sem medicação para estimular, a medula já estava respondendo e o tio Enaldo receitou uma medicação para estimular e responder mais rápido. Foi ótimo! 
A oncologia deu alta na quinta feira, mas ainda faltava a clínica que não deu alta porque apareceu uma bactéria no meu sangue e ainda faltava saber qual antibiótico a bactéria era sensível e se tinha oral.
A mamãe precisava receber alta até sexta a noite porque no sábado era aniversário de 90 anos do vovô e eu precisava ficar com você para a vovó e a tia Míriam poderem ir a festa. Como o vovô ainda não sabia de nada, também era muito importante nós dois irmos lá tirar foto com ele. 

Todos do hospital sabiam da situação e estava todo mundo aflito. Eu e seu pai não paramos em nenhum momento de pedir a Deus e a Nossa Senhora para dar tudo certo. Na sexta a tarde a médica entra no quarto e fala: 

- "Seu santo é muito forte, a bactéria é sensível a medicação oral, você vai receber alta." 

- "Meu santo é forte e Deus não falha!" 

No sábado, chegamos a festa e a mamãe começou a subir a escada com você no colo, foi quase impossível segurar o choro, eu só pensava: Obrigada meu Deus, obrigada por permitir que nós viessemos aqui hoje, obrigada meu Deus... 

Chegamos ao pé da escada e láaaa na frente estava a família tirando fotos, não vi direito quem estava lá, só vi a tia Nenha vindo na nossa direção com o olho cheio d'água e falei: 

- "Não chora!" 

Ela começa a chorar, me abraçou e falou: 

- "Maria Cláudia, que alegria te ver!" 

Pronto! Era tudo que a mamãe precisava para começar a chorar!

Lembro da vovó falando que não era para chorar, porque o vovô ia ver! Lembro que a tia Míriam Magalhães apareceu do nada, deu uma apertada no meu ombro e falou soprando meus olhos: 

- "Maria Cláudia, olha pra mim! Está tudo bem! Você está me ouvindo?" 

- "Estou!" 

- "Está tudo bem!" 

Engoli o choro e virei de costas dando de cara com o vovô que abriu um sorrisão e veio abraçar a gente. 
A tia Bruna que estava fazendo as fotos pegou o momento exato do encontro.

Cartas para Rafael, aniversário do vovô, 90 anos

 As outras fotos foram uma bagunça danada e muito legal. O vovô estava muito feliz mesmo. 

vovô fez 90, nós fomos

Depois das fotos fomos embora porque você ainda é muito pequeno para participar de uma festa dessa e o fato da mamãe ter recebido alta para estar em casa com você, foi a senha para a família inteira aproveitar a festa. 
Em relação a nós? Nós estamos aqui contando os dias para o aniversário de 100 anos, até porque já me garantiram que a festa de 100 vai ser bem melhor que a de 90.

efeitos da quimioterapia, tudo passa

Maria Cláudia Portes






quinta-feira, 19 de julho de 2018

Perda gestacional: tratamentos e autoconhecimento


Mais do que passar por uma experiência difícil, tirar pontos positivos de cada vivência é possível e imprescindível! Hoje após 6 meses da minha perda gestacional vejo o quanto mudei de lá para cá, o quanto me fortaleci, o quanto me conheci e o quanto isso contribuiu em vários pilares da minha vida. No princípio de tudo não conseguia me imaginar em tal momento, era tudo escuro e triste, mas sim, hoje me sinto bem, muito bem, e com outra visão da vida! 


terça-feira, 10 de julho de 2018

Quando se esquece, acontece... Quem tem fé, não desiste!



Depois de muitas viagens, saídas, eventos (eu e meu esposo temos uma vida agitadíssima), decidimos incluir mais um integrante neste embalo: resolvemos interromper o uso do anticoncepcional e preparar o corpo e a mente para a chegada do nosso amorzinho! Os planos eram de “limpar” o corpo (eliminar o excesso de hormônios, usei anticoncepcional por 11 anos), fazer os exames pré concepcionais e estudar novamente o ciclo menstrual (já tínhamos esquecido completamente como funcionava isso). E assim fizemos... Depois de tudo ok nos exames, partimos para as posições mais inusitadas (kkkk) regadas de amor, prazer, esperança e fé!

No primeiro mês de tentativa eu fiquei grávida! Psicologicamente falando né? É claro!!! (Kkkk). Gente, como eu me senti grávida! Lia todos os sintomas e automaticamente já os sentia! Pensava, que sorte, logo na primeira tentativa! Somos bons demais!!!(Kkk). Até teste de gravidez já tinha comprado (ansiedade em pessoa), e um belo de um negativo veio ao nosso encontro. Na mesma velocidade, pensei: é claro que não ia ser de primeira! (Kkkk). No mês seguinte faríamos a nossa primeira viagem internacional!

Deixamos rolar, mas sem pernas para o alto, sem fazer dia sim, dia não, sem expectativas, pois estávamos ansiosos com a viagem, com as malas e com as leituras sobre o país que visitaríamos... Na viagem curtimos bastante, passeios regados a bons vinhos e a bifes de chorizo, além de muita fé... Entrávamos nas belíssimas igrejas da Argentina e eu sempre agradecia por estarmos lá e pedia: Deus, estou disposta a esperar o tempo que for... Quando o Senhor achar que deve, nos envie um filho seu! Chegamos da viagem e contávamos e recontávamos empolgados aos familiares e amigos, sobre a nossa experiência no exterior! Nem lembrava de menstruação... Até notar o seu atraso! E como uma boa mineira, pensei: uai, será? (Kkk). Na segunda tentativa??? Melhor fazer o teste, e o maravilhoso positivo veio ao nosso encontro! Quanta alegria sentimos, meu Deus! Nosso bebê tinha puxado os pais mesmo e não quis ficar de fora da viagem internacional... O nosso bebê foi conosco e curtiu tudo no seu ninho de amor!

Contamos da gravidez apenas para a minha mãe, pois precisaria mais do que nunca dos mimos e das orações dela. Para o restante da família, contaríamos após os 3 meses. Após a primeira consulta de pré natal, fizemos o primeiro ultrassom (eu já estava com 8 semanas de gestação). O exame estava marcado para as 18:00 para que meu esposo pudesse ir (o dia mais longo da minha vida), como eu queria escutar o coraçãozinho do nosso bebê! Eis que na hora do exame, visualizamos apenas o saco gestacional, o embrião não (tive uma gravidez anembrionária)...

O coração que não ouvi não era somente dele, do nosso filho, mas era o meu também... Eu não acreditava que tinha esperado tanto para não sentir e ouvir o meu filho... O médico do ultrassom e a médica do pré natal pediram para repetir o exame depois de 2 semanas sugerindo erro de data (mas eu tinha certeza das datas, refazia todo o calendário na minha mente e sabia que não estava errada). Chorei a noite inteira e meu marido ainda manteve a esperança de “erro de datas” como os doutores da medicina. No dia seguinte, senti cólicas e o sangue desceu (aborto espontâneo). Que dor! Dor na alma, no coração... Dor que nunca havia sentido na vida... Mas Deus é tão bom que neste dia pude ficar em casa (era feriado da minha Santa de devoção) e pude me apegar a Ela e rezar pedindo que me curasse da dor, do buraco que havia se instalado em mim, no meu corpo e nos planos que havíamos projetado... No nosso coração, o nosso anjinho estará para sempre e temos a certeza de que ele nos protege e enviará um dia o seu irmãozinho para badalar conosco! Continuamos aguardando a nossa hora e os pedidos nas igrejas portenhas não será em vão... Que assim seja, amém!

Autora Anônima

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Você terá que manter-se vigilante durante toda sua vida!

Como diria Simone de Beauvoir, nunca esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda sua vida.

Ah, essa vigilância... Exaustiva e incansável que precisamos manter em uma sociedade que se compadece com o "pai de família" que pratica seu machismo cotidiano em outro país porque a desculpa está no excesso de álcool, enquanto usa a mesma desculpa (do álcool) para culpabilizar mulheres vítimas de assédio.

Vigilância que precisamos manter num país onde milhares de mulheres são assassinadas e violentadas brutalmente por homens ou grupos deles que não são responsabilizados, punidos ou se quer identificados. 

Vigilância que precisamos manter numa sociedade que meninas não podem brincar na rua, porque são raptadas, molestadas e têm a vida encerrada.

Vigilância que precisamos manter num país onde, quando uma mulher tenta falar, explicar suas posições, conhecimentos e propostas é comum a prática de mansplaining e/ou manterrupting

Quem Inova - Catraca Livre

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Indicação de aplicativo: Dona App


Segunda-feira por aqui e a casa está como? Maravilhosa, cheirosa, organizada e limpa! Pronta para uma semana de muita animação, trabalhos no home office e externos também!!! Fui convidada a testar um aplicativo chamado Dona App, que é uma app de solicitação de diaristas no estilo "uber" e já fiz dois testes de sucesso com o app! 

Não tenho ajudante por aqui, sendo assim eu mesma faço a limpeza. Mas com essa correria entre trabalhos do blog, trabalhos fotográficos, loja virtual, vida familiar e social, nem sempre consigo deixar tudo limpinho do jeito que gostaria e do jeito que a minha casa merece. Esse teste me deixou feliz em ver que posso pedir para o dia e horário que quiser uma limpeza de urgência e que pode agilizar em muito a minha vida!

Baixei o aplicativo, que está disponível para Android, IOS e web (https://www.aplicativodona.com/), e fiz a solicitação da faxina para o dia, horário e local desejados!

Gostei muito da amplitude de horários do serviço. A limpeza tem 6 horas de duração, e o primeiro horário do dia é de 7 às 13h, e o último horário é de 18 às 0h., e estão disponíveis para todos os dias da semana, incluindo sábado e domingo! Se for necessário podem ser adicionadas mais horas de faxina.

No momento do pedido já ficamos sabendo do valor que vai ficar a diária. Vale para casa, apartamentos, studios, comércios, condomínios, clínicas, barzinhos e pós obra, com preços a partir de R$78,00!!! No momento do pedido podemos personalizar, colocando se há alguma área externa, janelas, limpeza de armário, se é preciso cozinhar, por exemplo.

Perda Gestacional: Rede de apoio


Assim que contei da minha perda gestacional para a família e também em minhas redes sociais apareceram muitas pessoas, MUITAS, que haviam passado por essa situação. Fiquei impressionada com tantos relatos de pessoas que já viveram perdas e com a rede de apoio que se formou ao meu redor. Sou muitíssimo grata a cada mensagem que recebi, a cada visita, a cada abraço, a cada presente fofo, a cada oração, a cada TUDO que possam ter oferecido de coração para que eu me sentisse melhor. Com certeza isso fez muita diferença para mim. Por mais que eu tenha buscado internamente forças para me recuperar, a minha rede de pessoas queridas me deixou muito bem amparada.

Abriu-se uma cortina em minha vida: muitas famílias perdem seus bebezinhos. A partir deste dia apareceram muitas mulheres que já haviam vivido o aborto e que vieram me procurar para conversar e contar um pouco das suas histórias e tentar me ajudar com as experiências vividas. Percebi que muitas delas viveram o aborto de forma silenciosa, sem amigos e familiares saberem. Algumas eram tão próximas e eu não imaginava as histórias que já haviam passado. Por isso resolvi escrever muitas coisas sobre o que vivi pois estes textos podem ajudar a quem passou, de maneira silenciosa ou não, por esta situação, e também, me ajudam pois escrever me faz um bem daqueles e posso fazer parte da rede de apoio de pessoas que talvez eu nem vá conhecer! O primeiro texto foi sobre como descobri que havia perdido o bebê e a mudança que isso causou em minha vida.


quinta-feira, 21 de junho de 2018

Porque não posso ter duas meninas?


Quando atingimos certa idade e estamos solteiros, as cobranças por namorados(as) começam.
Assim que começamos a namorar vem os questionamentos sobre o casamento.
No dia do casamento já perguntam por filhos.
Aí você tem uma filha e já falam que tem que tentar um filho ou vice versa.
E quando o segundo filho tem o mesmo sexo do primeiro? O segundo nem nasceu e já falam sobre um terceiro.
Porque não posso ter duas meninas?