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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Carta para Rafael - Cirurgia, pós operatório e volta para casa.



Boa tarde, meu amor! Você agora só fica querendo ficar no chão se arrastando, já está quase engatinhando e a mamãe está doida para te ver sentado sozinho. 

Tem uns 15 dias que a mamãe fez a cirurgia de retirada da mama e vou te contar como foi. 



Finalmente fiz a cirurgia, estava em pânico, muito pânico. Foi feita em uma quarta feira e nos dias anteriores fiquei agarradinha com você te carregando no colo o dia inteiro, porque sabia que ia ficar um bom tempo sem poder fazer isso. Só saí de casa para ir ao cirurgião plástico fazer algumas marcações no peito. 


A noite te coloquei para dormir e fui dormir também. No outro dia cedo, fui com o papai e a vovó para o hospital e chegando lá tudo aconteceu muito pontual, subimos para a sala de preparo para a cirurgia e troquei de roupa. A tia Maria Luisa (Malu) chegou e eu comecei a chorar, chorei muito e não sei explicar o porquê. Estava feliz porque ia tirar o resto de câncer que poderia ter sobrado da mama, mas estava triste de estar passando por aquilo. A tia Malu ficou o tempo todo conversando comigo e segurando minha mão. Entramos para a sala de cirurgia e pedi para o anestesista usar o cateter e ele falou que não podia, o cateter era precioso e deveria ser usado apenas para a quimioterapia. Tudo bem, a tia Malu estava segurando minha mão e conversando comigo enquanto eles puncionavam a veia, então eu nem senti. Puncionaram na mão e foi ótimo, logo adormeci. 

Acordei 5 minutos depois (umas 4 horas) e rapidinho já me levaram para o quarto. No caminho encontrei com o papai no elevador voltando do almoço.

Não lembro direito o que aconteceu durante o resto do dia. Lembro que recebi a visita da tia Claudinha, do Tio Otávio da equipe do cirurgião plástico que inclusive falou que tinha ocorrido tudo bem na cirurgia e já tinham conseguido encher 300ml do expansor. Fiquei muito animada, mas quando olhei para baixo o peito estava achatado e muito torto, ele falou que era assim mesmo, o músculo ainda estava se adaptando e esse não era o resultado final, fiquei decepcionada. 

A tia Malu chegou logo em seguida explicou tudo que tinha sido feito na cirurgia, falou que eu tinha perdido muito sangue (o que me rendeu o apelido de menina amarela pela tia Lu) e iria me receitar uma suplementação de ferro. Ela mexeu na axila, o que me deixou bem dolorida e pedi para aplicarem morfina, logo adormeci. 

Também não lembro de muita coisa do dia seguinte, estava tomando morfina de 6 em 6 horas, então só dormia e vomitava. O papai comprou picolé de limão e tangerina e foi ótimo. Recebi a visita da tia Pri, tia Natty, tia Helô, tia Claudinha e do tio Enaldo oncologista que ficou rindo de mim, porque a tia Malu contou para ele que eu tinha arrumado uma choradeira danada antes da cirurgia. 

Eu estava ótima a noite quando recebi a visita do tio Otávio com o tio Alfonso (cirurgião plástico) e da tia Malu. Quando ela saiu do quarto, pedi a Morfina que demorou um pouco para chegar e foi aplicada junto com a Dipirona e com um outro remédio para dormir, na hora pensei: 

“Essa mistura não vai prestar... bom que só vou acordar amanhã de manhã!” 

5 minutos depois (no dia seguinte de manhã), acordei e a vovó estava no quarto. A única coisa que lembro é que tomei banho e recebi alta. 

Eu não estava conseguindo ficar em pé sozinha e no estacionamento do hospital o papai me olhou bem, me achou muito pálida e ligou para a tia Malu. Ela mandou voltar comigo para o Pronto Socorro e foi lá me ver. 

Assim que ela chegou, me examinou e falou que ia fazer um exame enquanto eu tomara um soro para tirar o excesso de medicamento do sangue (eu não consegui acordar de manhã e aplicaram a morfina que eu pedi e a dipirona de novo).

Fomos para o box, deitei na maca e começou a luta para puncionar a veia. Foi muito difícil, tiraram o sangue do pé e veio uma enfermeira da pediatria e outra do laboratório para tentar punsionar e mesmo assim foi difícil. O resultado do exame ficou pronto e eu ia precisar de uma transfusão de sangue. As enfermeiras do banco de sangue chegaram e comecei a chorar. A tia Malu segurou minha mão e me mandou concentrar e conversar com ela. Ela falou: 

“- Vamos pedir para a Desatadora dos Nós desatar mais esse nó da sua vida!”



Fechei os olhos e fiz uma oração, nem senti quando puncionaram, elas conseguiram com um cateter infantil, bem fino e o sangue da bolsa demorava para passar, mas passava. Eu ia precisar de duas bolsas de sangue e a enfermeira falou que tinha que ser feito de 1:30 a 3 horas. O sangue é frio e dói bastante quando entra na veia. 

A tia Malu foi embora e falou que ia voltar mais tarde. 

Passando 3 horas, olhei para cima e não tinha tomado nem metade da bolsa de sangue ainda, comecei a pedir para usarem o cateter, porque já tinha lido que em uma emergência podia usar. 

Veio uma outra enfermeira do banco de sangue e falou que a transfusão podia ser feita em 4 horas e estava tudo bem. Ela aumentou o fluxo do sangue e senti uma dor pulsante, comecei a chorar de novo e ela falou: 

“- Me desculpe estar fazendo você passar por isso."
"- Só que eu não precisava estar passando por isso, eu tenho um cateter!"
"- A gente não punciona o cateter." 
"- Pois é, vocês todos deveriam estar treinados para isso, porque ele é colocado para facilitar e vocês ficam querendo ter trabalho! Cadê o pessoal da oncologia? Busca alguém lá por favor, amor!" (pedi ao papai)

Alguém falou que o tio Enaldo não autorizava usar e eu falei: 
“- O cateter é meu e não vi ninguém ligando para o Enaldo para perguntar! Alguém ligou??? Liga aí, amor!” 

Ele ligou e explicou: 
“- Dr. Enaldo? Boa tarde, a Maria Cláudia precisou voltar para o hospital e está fazendo uma transfusão de sangue. Ela está querendo usar o cateter.... ah, NÃO PODE?"
"- Fala pra ele que não gosto mais dele!"
"- Ele mandou falar que tudo bem, mas que não pode!” 

Eu estava muito brava, o lenço na cabeça estava me incomodando e tirei: 
“- Não posso fazer nada que quero, então não vou ficar com nada me incomodando.” 

A tia Lu entrou no box e me apelidou agora Vampira Estressada. Virei uma personagem que antes era Menina Amarela, depois virei Menina Amarela quase Rosa e por último Vampira Estressada.


Ainda estava sentindo uma dor pulsante e ouvi alguma enfermeira falando: 

“- A Dra. Maria Luisa já está vindo e vai avaliar se libera ou interna de novo...” 

Quando ouvi isso, entrei em pânico! Foi a primeira vez que fiquei com medo de não sair mais do hospital, comecei a chorar muito, mas fiquei quietinha mesmo com a dor para que não desse nenhum problema com a transfusão. 

Passou um tempinho, a tia Maira que já tinha sido médica da mamãe a alguns anos entrou no box e falou que a tia Malu tinha pedido para ela ver como eu estava e falar que já estava chegando. Perguntei se ela não lembrava de mim e ela falou que não. 

Falei que o cabelo fazia diferença mesmo e ela tinha me visto poucas vezes. Ela falou que isso que eu estava passando era passageiro e logo ia passar. Falou de uma médica da equipe que tinha tido câncer de mama a uns 5 anos e estava ótima trabalhando com elas lá! Pedi para ela vir conversar comigo e foi ótimoooo! 

A tia Adriana ficou um tempão conversando com a mamãe e rimos muito, ela me contou a história dela e falou que depois que eu receber alta do tratamento, qualquer dor de barriga vou achar que o câncer voltou, mas que depois de um tempo nem vou lembrar mais que algum dia estive doente. Foi Deus que mandou ela estar lá, porque fiquei muito mais calma depois que conversei com ela. 

A tia Malu chegou e a gente estava conversando. Ela conversou um pouco com a gente também e falou que eu ia tomar a outra bolsa e receber alta para ficar com você, mas precisava voltar no outro dia de manhã para fazer um novo exame e prometi que voltaria. A segunda bolsa foi mais rápida, porque não reclamei da dor no braço, só pensava em você. 

Chegamos em casa e subi no elevador chorando porque me vi no espelho. Entrei em casa pedindo para tirarem todos os espelhos da casa quando te vi sentadinho no sofá com a tia Miriam, você abriu um sorrisão e toda dor, incômodo e desespero desapareceram. 

Hoje estou bem mais calma porque entendi que é tudo passageiro e já estou ansiosa para a próxima cirurgia de retirada da prótese e colocação do silicone.



segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Carta para Rafael - Mesversário, Dança Materna e cirurgia



Boa tarde, meu amor! É gostoso dormir com esse clima e essa chuvinha, né? A mamãe adora! 

Você já está com 6 meses, meio ano de vida e resolvi fazer uma festinha pra gente comemorar! Esses meses foram muito intensos e merecem uma comemoração! A mamãe encomendou na Boca do Forno o Kit Festa e foi perfeito! Vindo da Boca do Forno, não tinha como ser diferente. Nunca tinha comido o bolo de limão deles e me surpreendi de tão gostoso que é! Acredita que as vendedoras já conhecem a gente pelo Instagram? Adorei saber disso!


segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Carta para Rafael - Fim do primeiro ciclo, novos exames e mudanças



Bom dia meu amor! Neste momento você está dormindo com a mamãe na cama e não posso me levantar se não você acorda, ultimamente você está com a mania de dormir encostado em mim e qualquer movimento estranho, abre os olhos, confere se estou ao lado e volta a dormir, muito fofo. 


Sexta passada a mamãe saiu bem cedo lembra? Foi o dia da última quimioterapia do primeiro ciclo e é muito engraçado explicar esses ciclos porque todo mundo fala: 

" - Uai, a quimioterapia acabou, mas não acabou? Como assim?" 
O protocolo que a mamãe está fazendo, são 3 medicações: um marcador, um bloqueador e um quimioterápico que mata as células cancerígenas (mais fácil entender) e fiz 6 sessões assim. 
Agora, vamos repetir um exame que vai mostrar que está tudo ótimo e respondi bem a medicação e vou fazer a cirurgia de retirada da mama (pânico sempre que penso nisso) 
Assim q recuperar da cirurgia, faço radioterapia (que talvez não precise) ou mais 12 seções de quimioterapia! (Parte que ninguém entende... rsrsrs) 
Essas 12 sessões são só com o marcador e o bloqueador, mas não deixa de chamar quimioterapia porque toda administração de medicação tem este nome entendeu? 




Enquanto o plano de saúde não autoriza o novo exame, fico pensando em quanto tempo ainda vai demorar para eu fazer a cirurgia e também penso no tanto que mudei até aqui, não só fisicamente com a perda dos cabelos, cílios e sobrancelhas, mas internamente também... 

As vezes penso que continuo a mesma de antes, mas as vezes percebo que não, é muito difícil passar por tudo que estamos passando e não mudar...

Estou mais calma, dei uma desacelerada... principalmente em relação ao trabalho, amo o que faço e isso não é novidade pra ninguém e ficar longe dele está sendo um dos meus maiores desafios. As vezes minha chefe chama minha atenção e me manda focar no tratamento ou em você, fala para não me preocupar e parar de pensar em trabalho. Que trabalho? Pra mim é um prazer! 

Também estou bem mais desapegada das coisas, o que é incrível porque sou taurina e uma das características desse signo é ser apegado, ciumento e não gostar de mudanças, ou seja, acho que terei de mudar de signo... rsrsrs.




segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Carta para Rafael - Outubro Rosa, palestra, entrevista e algumas perguntas sem respostas.

Bom dia, meu amor! Como você consegue estar cada dia mais lindo, esperto e fofo? 
Não sei se você percebeu, mas a mamãe está um pouco pensativa esses dias, vou te contar o motivo: 

O primeiro ciclo da quimioterapia está acabando e vou repetir alguns exames para saber como o organismo reagiu a medicação e em seguida fazer a cirurgia da retirada de mama.
Estou muito ansiosa com o resultado dos exames e mais ainda com a cirurgia.
Sempre tive tudo muito programado na cabeça e ter que esperar o resultado dos exames para saber exatamente como será a cirurgia, tem me deixado ansiosa.
A gente se prepara para perder os cabelos, os cílios e sobrancelhas, mas é muito difícil se preparar para perder o peito. Eles fazem a reconstrução? Sim, mas não é só isso... é muita dúvida, muitas perguntas sem respostas e tenho que esperar! Uma das coisas que tenho aprendido com o tratamento é ter paciência.
Ninguém falou que seria fácil e não posso reclamar de nada! Qualquer reclamação, estaria sendo injusta com Deus. 


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Carta para Rafael - Viver e não ter a vergonha de ser feliz.

Boa tarde meu amor, a vida é muito engraçada e algumas coisas, por pior que pareçam ser, fazem a gente refletir. 

Muitas coisas na vida fazem parte da nossa rotina e a gente faz totalmente no automático. Desde que você nasceu e a mamãe recebeu o diagnóstico de câncer de mama, só tenho saído de casa para ir em algum médico ou quimioterapia, te levar na pediatra, ir a missa, ao centro espirita e em Sabará fazer tratamento espiritual com o Dr. Fritz.

Outro dia o papai ia trabalhar no final de semana e não ia conseguir levar a Arya - sua irmã peluda - para tomar banho e eu levei. 

Acordei cedo no sábado, tomei banho, arrumei a sobrancelha que está bem falhada, passei um protetor solar (coisas que eu nunca fiz antes), peguei a Arya e saí, um pouco na dúvida se ainda sabia dirigir, rsrsrs.
Entrei no carro e o rádio ligou automático na rádio CDL e estava tocando "Café com Rock". Oi?! Aaaamo Rock!!! Que delíciaaaaa! Já estou enlouquecida, cantando e emocionada indo levar a cachorra pra tomar banho! Eu fazia isso todo sábado, qual a novidade? Porque tanta emoção? Estou viva! VIVAAAA! Isso é muito bom! 



quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Carta para Rafael - Carta da Michelle para a mamãe



Bom dia meu amor!

Hoje de manhã a mamãe recebeu uma carta da Michelle, a gente participava do mesmo grupo de noivas na época do casamento e depois que casamos acabamos não nos falando mais. Infelizmente isso acontece, com a correria da vida a gente acaba perdendo o contato com algumas pessoas.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Carta para Rafael - Mamãe camaleão, família e amigos

Bom dia meu amor, você acabou de mamar quase tudo e acredito que os efeitos da vacina estão passando, porque você voltou a ter apetite!
As vezes você fica encantado olhando para meus "cabelos" coloridos enquanto mama e vou te contar o porquê deles estarem cada dia de uma cor!

Na primeira consulta com o tio Enaldo oncologista, um pouco antes de iniciar a quimioterapia, ele deu todas as orientações e falou dos possíveis efeitos colaterais. Falou que os cabelos iam cair com certeza.
Eu tinha ido ao salão, feito as unhas e uma escova bem linda para mostrar que estava mais que preparada para iniciar o tratamento. 
Naquele momento, já sabia que os cabelos iam cair e incrivelmente já tinha desapegado. No início ia deixar cair naturalmente, mas resolvi cortar curtinho para sentir menos a queda. 


Seu pai tinha certeza que eu ia ficar arrasada sem meus lindos cabelos longos e eu tinha certeza que não, mas mesmo assim ele quis mandar fazer uma peruca com meu cabelo. 
Engraçado que conversando com a tia Dani, que passou por um tratamento parecido com o meu, ela falou: 

"- Olha Cacau, o lance do cabelo é mais importante do que você imagina. A queda total deprime sua família. A peruca dá uma sensação de normalidade e a gente vai levando a vida."

A primeira vez que senti isso foi no salão um dia antes de iniciar a quimioterapia. Cheguei e contei para o tio Wilson que é meu cabeleireiro desde pequena o que estava acontecendo e que precisava de um corte curtinho, que não precisasse de escova e ele ficou muito chateado, tão chateado que nem despediu de mim direito. Na hora de ir embora, ele falou que precisava resolver um problema e saiu engasgado, eu sabia que ele ia chorar. 

"- Cabelo cresce!" 

Falei com ele, mas não adiantou. Ele ficou triste e sei que chorou outras vezes falando sobre o assunto, mas acredito que ele ficou triste por mim e nem tanto pelo cabelos. 

Com isso, resolvi poupar o tio Wilson de cortar meus cabelos e fui na NTC Soluções Capilares -  salão especializado em perucas para cortar e mandar fazer. 
Fui com a tia Lu e chegando lá encontramos com a tia Pri na porta esperando a gente. 
As meninas do salão são muito fofas e atenciosas, sentei na cadeira e comecei a contar o que estava acontecendo e fiquei engasgada, mas rapidinho me recompus, a tia Cíntia chegou em seguida e elas começaram a experimentar todas as perucas do salão e a fazer uma bagunça danada. Eu estava concentrada e achando muito legal a empolgação delas!



Deus coloca em nossa vida as pessoas certas e a presença delas ali fez toda a diferença, porque quando vi meu cabelo curtinho, gostei tanto que comecei a ficar com dó dele cair, acredita? Só eu mesmo! 
A dona do salão resumiu bem o momento com a frase: 

"- Quem tem amigos tem tudo!"  



Cheguei em casa me achando linda e a vovó e a tia Míriam deram um ataque quando me viram: 

"- Nossaaaa, você ficou lindaaaa! Rejuveneceu 10  anos!" 
 
"- Achei que você ia chegar aqui careca, ficou muito bom com o cabelo assim!" alívio na voz da vovó 

O tempo passou e fui buscar a peruca, o papai foi comigo, fomos em um outro cabeleireiro  especialista em corte de peruca e ficou linda, perfeita, mas por incrível que pareça, me olho no espelho com ela e lembro que estou fazendo tratamento. Sempre amei lenço e comprei vários, a vovó fez várias combinações e eu e você adoramos, porque você me olha sempre com uma carinha de: "mamãe, você está linda!"


O novo protocolo da quimioterapia não agride tanto o corpo e tem efeitos mais leves, a enfermeira falou que os cabelos vão voltar a crescer e já estou ansiosa para ter cabelos novos, Diz ela que no início vou ficar parecida com um Kiwi e comecei a achar os Kiwis lindos!





segunda-feira, 23 de julho de 2018

Carta para Rafael - Quimioterapia, efeitos e aniversário do vovô


Boa noite meu amor! Essa noite você vai dormir mais tranquilo? Na noite passada você deu trabalho porque ficou com saudades da vovó? Ela precisa ir na casa dela de vez em quando cuidar da tia Lu e do vovô também, nós não podemos ser egoístas!
Você sabe porque a vovó está ficando aqui com a gente direto? Vou te contar... 

A mamãe começou a fazer quimioterapia, fez a primeira no dia 15/06/18, era uma medicação vermelha e muito forte, dizem que pode dar muitos efeitos colaterais e a primeira semana é a mais complicada. 
A mamãe sentiu um pouco de enjoo, braços e pernas pesados e também faz os cabelos caírem, o da mamãe começou a cair com 13 dias.

Fase vermelha, quimioterapia, câncer de mama


Essa quimioterapia também pode fazer a imunidade baixar e a única recomendação do médico foi: 

- "A única coisa que ela não pode ter é febre acima de 37.8°, se isso acontecer, venha com ela imediatamente para o hospital." 

Mais ou menos 10 dias depois da quimioterapia comecei a ter calafrios e ao medir a temperatura:, 38.0°. Fomos para o pronto socorro e precisei ser internada, era uma terça feira e só podia ter alta se a medula respondesse bem e a imunidade voltasse ao normal. Para isso acontecer não podia mais ter febre e então decidi que a febre não ia voltar e a medula ia responder direitinho. No dia seguinte, sem medicação para estimular, a medula já estava respondendo e o tio Enaldo receitou uma medicação para estimular e responder mais rápido. Foi ótimo! 
A oncologia deu alta na quinta feira, mas ainda faltava a clínica que não deu alta porque apareceu uma bactéria no meu sangue e ainda faltava saber qual antibiótico a bactéria era sensível e se tinha oral.
A mamãe precisava receber alta até sexta a noite porque no sábado era aniversário de 90 anos do vovô e eu precisava ficar com você para a vovó e a tia Míriam poderem ir a festa. Como o vovô ainda não sabia de nada, também era muito importante nós dois irmos lá tirar foto com ele. 

Todos do hospital sabiam da situação e estava todo mundo aflito. Eu e seu pai não paramos em nenhum momento de pedir a Deus e a Nossa Senhora para dar tudo certo. Na sexta a tarde a médica entra no quarto e fala: 

- "Seu santo é muito forte, a bactéria é sensível a medicação oral, você vai receber alta." 

- "Meu santo é forte e Deus não falha!" 

No sábado, chegamos a festa e a mamãe começou a subir a escada com você no colo, foi quase impossível segurar o choro, eu só pensava: Obrigada meu Deus, obrigada por permitir que nós viessemos aqui hoje, obrigada meu Deus... 

Chegamos ao pé da escada e láaaa na frente estava a família tirando fotos, não vi direito quem estava lá, só vi a tia Nenha vindo na nossa direção com o olho cheio d'água e falei: 

- "Não chora!" 

Ela começa a chorar, me abraçou e falou: 

- "Maria Cláudia, que alegria te ver!" 

Pronto! Era tudo que a mamãe precisava para começar a chorar!

Lembro da vovó falando que não era para chorar, porque o vovô ia ver! Lembro que a tia Míriam Magalhães apareceu do nada, deu uma apertada no meu ombro e falou soprando meus olhos: 

- "Maria Cláudia, olha pra mim! Está tudo bem! Você está me ouvindo?" 

- "Estou!" 

- "Está tudo bem!" 

Engoli o choro e virei de costas dando de cara com o vovô que abriu um sorrisão e veio abraçar a gente. 
A tia Bruna que estava fazendo as fotos pegou o momento exato do encontro.

Cartas para Rafael, aniversário do vovô, 90 anos

 As outras fotos foram uma bagunça danada e muito legal. O vovô estava muito feliz mesmo. 

vovô fez 90, nós fomos

Depois das fotos fomos embora porque você ainda é muito pequeno para participar de uma festa dessa e o fato da mamãe ter recebido alta para estar em casa com você, foi a senha para a família inteira aproveitar a festa. 
Em relação a nós? Nós estamos aqui contando os dias para o aniversário de 100 anos, até porque já me garantiram que a festa de 100 vai ser bem melhor que a de 90.

efeitos da quimioterapia, tudo passa

Maria Cláudia Portes