terça-feira, 29 de maio de 2018

Perda gestacional: o princípio de uma nova fase de vida

Difícil até iniciar esse texto, mas quero muito escrever para vocês sobre o acontecido. Levei algum tempo para assimilar tudo o que passou e ter forças para escrever. No final de 2017, após muitas tentativas, veio a notícia de que estávamos grávidos. Nos preparamos muito para receber esse filho, bem como a Nina, minha filha. Mudamos de apartamento para poder caber mais pessoinhas lindas com tranquilidade (antes mesmo de engravidar), programamos o nosso ano de 2018, escolhemos um nome de menina e um de menino, sonhamos, planejamos e amamos estar grávidos novamente! Em minha intuição era um menino, e se chamaria Saulo (significado: aquele que foi muito desejado, que foi pedido insistentemente, aquele que foi conseguido através de orações).

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Começamos a bateria de exames de pré-natal: exame de sangue, ultrassonografia (US), verificação das vacinas etc. Na primeira US, com 8 semanas, houve uma observação sobre o útero: eu estava com um hematoma interno. Enviei à obstetra e ela retornou com uma medicação que eu deveria usar, Progesterona, e me receitou repouso parcial. E claro, fui procurar na internet sobre o assunto e vi que muitas pessoas se recuperavam logo após seguir as recomendações. Externamente não havia nenhum sintoma, pelo contrário, estava bem-disposta, sem dor alguma ou sangramento externo. Fiquei animada e não me preocupei com isso, mentalizando que iria melhorar logo! Fiz o repouso da forma como consegui. Não pude evitar de subir os 5 andares do apartamento onde moro, mas evitei pegar a Nina no colo, parei de dirigir, não peguei peso, suspendi as atividades físicas e fiz repouso parcial receitado.

Algumas pessoas não contam antes dos 3 meses sobre a gravidez. Eu já havia contado desde o início!  Vou explicar o porquê. Acredito que cada vida é importante e precisa ser celebrada. No momento em que contei não passava pela minha cabeça que iria ter complicações e poderia perder um bebezinho, e sim que ele era importante para mim, e que mesmo que viesse para ficar por pouco tempo teria uma missão nessa vida.

Fiz essa foto da Nina dois dias após sabermos da gravidez! Ela curtiu muito a notícia!

Após alguns dias fiz a repetição da US. Nessa US o bebezinho já estava com os bracinhos formados e vimos ele se mexendo. Brincamos que ele estava dando um tchau para as câmeras. Nina foi com a gente e não tivemos como não nos emocionar com essa cena e também ao escutar o coraçãozinho a todo vapor do nosso bebê. É tão emocionante né? No momento da ultra a médica me alertou que estava com a vesícula vitelínica aumentada (hidrópica), mas que iria dar tudo certo. Perguntei o que isso significava e ela me disse que se não normalizasse poderia haver algum problema no desenvolvimento, mas que era para conversar com a minha obstetra maiores detalhes.

Preciso fazer um apêndice sobre uma questão: senti muita falta de uma obstetra mais sensível e atenciosa. Após cada exame que fiz mandava mensagem para ela. Ela pedia para eu enviar o exame que tinha feito mas me deixava dias sem respostas. Angustiantes dias. Não é obrigação do médico fazer esse tipo de contato externamente, mas ao se falar de uma gestação de risco, é preciso um suporte mais atencioso.

Alguns dias depois recebi meus exames de sangue e urina e estava tudo muito desequilibrado. Já estávamos em 2018. Achei muito estranho pois eu nunca tive alterações do tipo. Resolvi ir à urgência de uma maternidade para verificar. Levei os meus últimos exames. O médico simplesmente ignorou a minha preocupação, mal olhou meus exames e falou: "se estivesse acontecendo alguma coisa errada você estaria sentindo. Aqui não é lugar para pré-natal, aqui é lugar para pessoas que estão em risco". Sai de lá me sentindo uma vilã né? Mas mesmo assim continuei com a pulga atrás da orelha.

Com 11 para 12 semanas fiz mais uma US, que já estava no planejamento do pré-natal. Tem dias que a gente não entende bem como as coisas acontecem, e só posso imaginar Deus lá de cima tentando amenizar as coisas aqui embaixo. Nina estava de férias, e os meus sogros vieram ficar com ela na minha casa para brincar. Fui ao exame com o Pablo, meu marido, que também estava de férias. No momento do exame aquele silêncio. O médico analisou a tela, olhou os exames anteriores, e continuou em silêncio. No meu coração algo me dizia que havia alguma estranheza no ar. Depois ele começou a fazer as medidas e a falar um monte de coisas que até então eu não havia escutado, e a assistente ia perguntando algumas coisas, como se fossem coisas novas para ela também. Foi um exame demorado e assim que terminou ele retirou o equipamento. E eu já ia perguntar se não íamos escutar o coraçãozinho do bebê. Nesse mesmo momento ele disse "você perdeu o seu bebezinho, sinto muito".

Chorei na hora, sai de lá chorando e cheguei em casa chorando. Não sabia como ia contar para os meus sogros e para a Nina, mas a minha cara já dizia tudo. Nina me abraçou e eu disse "O bebezinho não mora mais na barriguinha da mamãe. Vamos ter que pedir ao Papai do Céu um novo bebezinho, está bem?". Ela me abraçou, me beijou e falou assim "então quer dizer que agora posso ficar no seu colo?". kkkkkkk. Tão lindas essas crianças né? 

E esse foi o início de um processo longo, de muitos altos e baixos nas emoções. Tive que cuidar de mim, e também do Pablo e da Nina. Foi o momento de vida em que precisamos de muito carinho, palavras amigas, de colo, de apoio, superação e de ter muita fé. Busquei conversar com quem passou por isso, procurei ler muito, escrevi muitas coisas, e iniciei tratamentos alternativos para limpeza e cura interna.

Se a maternidade me virou do avesso, o aborto me fez virar pelo avesso do avesso. Já se passaram 4 meses do ocorrido e nesse tempo também surgiram tantas reflexões e mudanças. Entendo a missão de Saulo aqui como alguém que veio para me transformar, para abrir os meus olhos para muitas coisas, para me tornar mais sensível e também para me ajudar a traçar uma busca pelo autoconhecimento. E sei que a missão dele abrange outras pessoas também. Um bebê virou anjinho e com ele renasceu uma nova mãe em mim!

Quero escrever mais três textos a respeito para falar sobre a rede de apoio que tive, falar sobre os procedimentos pós perda gestacional e também falar dos tratamentos alternativos que fiz na @se.ame.tista e que foram essenciais para a minha recuperação!

Sendo assim, se você passou por esta situação, quer conversar, tem alguma dúvida, 
quer me enviar alguma história, pode me chamar no meu whatsapp. 
(31) 98771-5676 ou e-mail helodrumond@gmail.com.




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