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quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A Violência Sexual que Ninguém Conta


Foi num banheiro feminino de um centro cultural, era fim de noite numa cidade agitada, poucos minutos para os portões fecharem, após o dia muito animado e todas as programações feitas pela amizade, as amigas entraram juntas. Entre essas conversas que rolam entre o rodízio no banheiro descobriram: de um grupo de quatro amigas, três delas sofreram algum tipo de violência sexual na infância e/ou juventude. 

Sabe aquelas estatísticas que você insiste em ignorar? Sabe aquela dor que você guarda no peito por achar que a culpa era sua? Afinal, a sociedade faz isso muito bem! A culpabilização da vítima. Sabe aquele arrependimento por não ter contado para ninguém? Ou aquele medo de contar? Sabe aquele nojo que você tem de si própria? Do seu corpo? Sabe aquele problema de prazer sexual que você ainda não conseguiu superar? Aquele medo de andar sozinha na rua? O medo do escuro? Do desconhecido?

Talvez só quem passou por alguma violência sexual vai entender essas questões, porque elas invadem nosso pensamento vez ou outra. Quando alguma coisa não vai bem elas aparecem, atormentam nossa mente. E mesmo que as terapias ajudem, que os divãs façam bem, há memórias que não desaparecem. Podem ser digeridas de alguma forma, mas o velório, curto ou longo, sempre precede o enterro.

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Você tem Vocação para a Maternidade?

Outro dia fiz umas enquetes nos stories do Instagram Mamãe Sortuda e fiquei impressionada com a convergência das respostas das mulheres que participaram com minhas reflexões pessoais.

83% das mulheres responderam que já se perguntaram se têm vocação para a maternidade e 62% também responderam que só fizeram este questionamento após a maternidade. 

Por que será que não nos perguntamos ao longo da vida se devemos ou não ser mães? Se é isso que queremos ou não? Se não vamos surtar depois que as crianças estiverem correndo pela casa? Se temos essa "vocação" para a maternidade? 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Outros Jeitos de Usar a Boca

Ser mulher neste país, como em muitos outros lugares do mundo, é travar batalhas diárias por direitos mínimos, por liberdade, por segurança... E nessas lutas tão cotidianas para nós, esbarramos com histórias cruzadas, histórias que se assemelham ou mesmo histórias idênticas que só mudam de endereço, muitas delas são comuns na experiência de traumas que vivemos enquanto ainda éramos crianças. 

É difícil ser mulher! Muitas feridas marcam nossa história de resistência e luta feminina, mas também parte dessa dor cicatriza e vira solo fértil para um belo jardim e, assim, conseguimos transformar tudo que nos roubou de nós em arte com muito de nós. 

E isso é herança, como as que vieram antes de nós nos deixaram um legado, nós também precisamos deixar isso para os que estão nascendo. 

Existem tantos livros interessantes de mulheres, famosas e outras nem tanto, que conseguem partilhar trajetórias brilhantes, de superação, de representatividade, de empoderamento, de conhecimento, de força! 

Faça esse exercício: leia mais escritoras, leia mais o que as mulheres têm para partilhar, leia sobre as grandes mulheres que mudaram a história e com frequência não são lembradas, leia sobre as mulheres da atualidade que enfrentam e ocupam espaços cercados de machistas. Leia mulheres! 

E não tenha medo, mulher, de partilhar sua arte também!

Um livro que conheci e amei (por ser muito impactante) foi outros jeitos de usar a boca.


quarta-feira, 27 de junho de 2018

Você terá que manter-se vigilante durante toda sua vida!

Como diria Simone de Beauvoir, nunca esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda sua vida.

Ah, essa vigilância... Exaustiva e incansável que precisamos manter em uma sociedade que se compadece com o "pai de família" que pratica seu machismo cotidiano em outro país porque a desculpa está no excesso de álcool, enquanto usa a mesma desculpa (do álcool) para culpabilizar mulheres vítimas de assédio.

Vigilância que precisamos manter num país onde milhares de mulheres são assassinadas e violentadas brutalmente por homens ou grupos deles que não são responsabilizados, punidos ou se quer identificados. 

Vigilância que precisamos manter numa sociedade que meninas não podem brincar na rua, porque são raptadas, molestadas e têm a vida encerrada.

Vigilância que precisamos manter num país onde, quando uma mulher tenta falar, explicar suas posições, conhecimentos e propostas é comum a prática de mansplaining e/ou manterrupting

Quem Inova - Catraca Livre

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Feminismo e Casamento

O "casamento real" de Henry Charles (mais conhecido como príncipe Harry) e Meghan Markle foi notícia no mundo inteiro e o assunto dominou as redes por N motivações diferentes (o vestido, a maquiagem simples dela, as músicas...).

O que chamou minha atenção, no entanto, foram os muitos comentários que surgiram do tipo:

"Feminista? Mas usa vestido de noiva?"
"Feminista? Mas entra na igreja?" 
"Feminista? Mas casou com um homem?"
"Feminista? Mas vai ter filhos?"

E tantos outros no mesmo sentido!

Não conheço muito os dois, não acompanho, não sei da vida deles! Mas ouvi dizer que Meghan é declaradamente feminista e, por causa disso, muito provavelmente, deve ter incitado esses comentários nas redes. Não entrarei no mérito do casamento, da monarquia, da cobertura midiática, do tal casamento que passa longe da realidade de muitos casais, da união (amor) dos dois ou do feminismo de Meghan, mas preciso falar sobre feminismo e casamento.


Divulgação: Kensigton Palace

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulher e Mãe (e outras coisas mais)


Dia Internacional da Mulher: 08 de março... É preciso um dia para a mulher? 

O dia 08 de março foi consagrado após diversas lutas e reivindicações das mulheres, por melhores condições de trabalho, por igualdade de direitos trabalhistas, por direitos sociais, por direitos políticos e por uma série de outras questões que se estendem até os dias de hoje. Lutas e reivindicações que fortificaram na segunda metade do século XIX. Não ouso dizer que iniciaram nesta época, porque eu duvido que desde que o mundo é mundo não tenha existido uma mulher que lutou (e pode ser que tenha sido jogada na fogueira por isso) para ter direitos básicos. 

E os movimentos, comumente, foram reprimidos por violência. Ainda hoje são! Em vários lugares do mundo, onde nem mesmo é consensual o direito da luta feminina. Mesmo onde é, a repressão transita por uma diversidade de formas. 

É tudo controlado! 

A roupa, o modo de sentar, a profissão, os hábitos de consumo, o corpo... Para não falar do assédio, da agressão verbal e física, das "brincadeiras" machistas.

Se ser mãe muda? Costumo achar que piora.

Ser mãe nesta sociedade significa que você é estranha por aproveitar a vida de qualquer forma que não seja com a maternidade. Que você não pode gostar de carnaval. Que é melhor você andar de burca. Que você é problemática por não ter um relacionamento amoroso bem sucedido. Se for viúva: matou o marido. Se for divorciada: ele não aguentou a chatice. Se for solteira: ixi! Nunca mais vai se relacionar com ninguém. Se você trabalha fora: prefere a vida profissional do que os filhos, terceiriza a maternidade. Se você não trabalha, é empreendedora, trabalha em casa, tem "mais tempo perto da família": é rica! É a do lar, que o marido banca. Se você estuda: como consegue?! Como se mãe não tivesse o direito de estudar. Ser mãe de estado civil solteira, que trabalha fora e estuda... Definição social de "olhe com reprovação".

Já somos julgadas o tempo todo. Não precisamos de mais críticas. 

Mensagens 10

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Meu filho? Não!


Ser mãe de criança do sexo masculino não é fácil! Ao contrário do que as pessoas costumam inocentemente acreditar. 



Afirmo isso porque é a partir da construção biológica que é feita a construção de gênero e, como desfecho, temos várias mãos apontando como deve ser a criança com base nos valores da sociedade definidos como masculino e feminino.

Não é fácil ser mãe de criança do sexo masculino porque as pessoas fazem uma construção de atitudes, expectativas e comportamentos sobre a criança que acabam por gerar frustrações se não são atendidas. 

E para as pessoas a culpa é sempre de quem mesmo?

Nesse contexto, se você adota uma postura de mãe que ensina à criança algumas coisas que estão na contramão do que a sociedade espera dela, você ainda é considerada como "mãe fresca", como as pessoas adoram rotular quando estão sentadas em seu trono real.

As pessoas esperam que meu filho goste de futebol, carros, lutas, espadas e armas. Que fale palavrão e tenha muitas namoradas. Que seja agressivo e revide às ofensas. Que assista a desenhos violentos, passe longe da cozinha e de atividades domésticas. Que seja jogador de futebol ou tenha um emprego que o torne, pelo menos, dono de um carro da Ferrari. E, por fim, quando já tiver aproveitado bastante a boemia, que monte em seu cavalo branco, acorde com um beijo uma princesa adormecida e dê a ela um imenso castelo encantado, onde possa passar o resto de sua vida enquanto ele, bravamente, sairá pelo mundo para caçar e lutar com dragões. 

Para mim, corresponder a isso apenas reforça a intolerância, o preconceito e o machismo.

As crianças de hoje são os adultos de amanhã, por isso ensino ao meu filho algumas coisas que acredito que farão a diferença na concepção de mundo dele e quem sabe não o capacitarão para modificar o seu entorno.

Meu filho? Não! 

Meu filho não faz xixi na rua

É claro que não estou dizendo da fase de tirar as fraldas, pois sei que essa fase é o momento de aprender e é mais difícil para a criança acertar a ida ao banheiro quando ela está fora de casa, fora da sua "zona de conforto", sendo comum os imprevistos de calças molhadas quando estão na rua. Estou dizendo de crianças que já têm maior controle sobre seu corpo. Há quase dois anos meu filho fez a transição das fraldas, então ele já tem forte controle das suas necessidades biológicas. Minha opção por não deixá-lo fazer xixi na rua é simples: se ele fosse do sexo feminino ele poderia fazer na rua? Claro que não! Pois como a sociedade ensina, "menina" não faz xixi na rua. Então, por que meu filho teria o direito de fazer só porque é "homem"? Direitos iguais, ora. 

Pensa que é bobagem? Certa vez estávamos em um lugar com mato e o seguinte episódio aconteceu:
_ Mamãe, eu quero fazer xixi. Disse meu filho com as mãos entre as pernas.
_ Vai ali, no mato. Faz na árvore. Disse a pessoa X apontando para o local.
_ Não! Meu filho não vai fazer xixi no mato. Ele vai ao banheiro. Disse segurando meus nervos (fico extremamente brava com esse tipo de situação). Filho, é errado fazer xixi em outro lugar que não seja no banheiro. Falei olhando para meu filho.
_ Mas o que que tem o menino fazer no mato? Disse a pessoa Y.
_ Se ele fosse menina, onde ele teria que fazer? Perguntei para X e Y.
_ No banheiro. Responderam em coro. Menina é diferente. Completaram.
_ Hã? Isso é machismo. Meu filho vai ao banheiro. A biologia dele não o faz melhor do que as meninas. 

E depois a sociedade não quer que as pessoas urinem na rua, nas portas das casas e do comércio e na cidade inteira durante o carnaval.


Meu filho não anda sem roupa na rua

Não estou dizendo de praia e piscina. Para mim é a mesma questão da urina. Se a sociedade diz que meninas não podem andar sem roupa, por que meninos poderiam?


Meu filho não é castigado por brincar com bonecas 

No estereótipo da sociedade, meninas devem brincar de bonecas para aprender a cuidar. Para aprender a ser mãe. Devem brincar de "casinha", "comidinha", de cuidar dos filhinhos. Enquanto meu filho deveria passar bem longe disso, não é? 

Meu filho pode brincar de comidinha, de casinha e de cuidar de um filhinho. Tanto é assim que ele tem seus bonecos como filhinhos. Não é raro ouvi-lo dizer:

_ Não precisa chorar. Papai está aqui. Ao segurar um de seus bonecos nos braços e/ou colocar para dormir. 

Certa vez em um projeto de literatura da escola, meu filho recebeu a visita da "bonequinha preta" por um fim de semana. Entramos na brincadeira com tudo e carregamos a boneca para todos os lados: supermercado, restaurante, circo, clube e igreja. As pessoas olhavam, comentavam, apontavam e faziam milhões de perguntas. Fomos super criticados por deixarmos nosso filho brincar com uma boneca.