quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Carta para Rafael - Carta da Michelle para a mamãe



Bom dia meu amor!

Hoje de manhã a mamãe recebeu uma carta da Michelle, a gente participava do mesmo grupo de noivas na época do casamento e depois que casamos acabamos não nos falando mais. Infelizmente isso acontece, com a correria da vida a gente acaba perdendo o contato com algumas pessoas.





A Michelle está terminando o tratamento de câncer de mama e quando ficou sabendo que eu estava passando por isso, me procurou e desde então tem me ajudado muito!

Olha que carta linda:

""Tudo passa. Tenha fé". Essa frase foi como um mantra pra mim. E é o que posso te dizer agora, depois de 15 sessões de quimioterapia, 1 implantação de cateter e 1 cirurgia de mama: tudo passa, tenha fé!

Mas não é fácil, eu sei! Receber o diagnóstico, ainda mais com um bebê tão pequeninho nos braços, é devastador. O meu João Vitor tinha apenas 6 meses! O medo toma conta da gente! Eu só pensava: preciso estar viva para o aniversário de um ano dele. Preciso estar viva para o primeiro dia de aula dele. Preciso estar viva. Acredito que você também pensou num monte de coisas. Tudo bem sentir medo. Quem não sentiria, diante de uma situação dessas? O que não pode é deixar o medo te dominar, te paralisar. Tem que encarar a doença de frente, por mais difícil que seja. Viver um dia de cada vez.

Falando assim (ou melhor, escrevendo assim), parece fácil, mas você sabe que não é. Tudo bem chorar. Ser positiva, pensar que tudo vai acabar bem, se torna um exercício diário, diante de um tratamento que nos fere até a alma. Eu poderia dizer (e te disse!), que cabelo cresce rápido (e cresce mesmo), mas a verdade, é que não queríamos passar por isso. Ninguém quer. E olha que meu cabelo não caiu todo. Mas a gente se reinventa.


Eu perdi cabelo, perdi sobrancelhas e cílios...minhas unhas ficaram mais fracas e os corticoides me fizeram ficar inchada. Eu me olhava no espelho e não me reconhecia. É punk, mas passa! Tudo passa, lembra? Toda vez que eu ficava pra baixo, por causa da minha aparência (não dá pra acordar todo dia se sentindo a Gisele Bündchen), eu olhava pro João Vitor. Como os olhos dele brilhavam ao me ver. Pra ele não importava se eu tinha cabelo ou não. Se eu estava inchada ou não. Para ele eu era a mulher mais incrível do mundo. E é isso que nós somos! Incríveis! Tenho certeza que o seu Rafael te faz sentir da mesma forma.


Esses serzinhos tão pequenos são presentes de Deus em nossas vidas. São eles que nos tornam mais fortes. E que tornam essa caminhada mais leve. João Vitor era o motivo de eu sair da cama depois de cada sessão de quimioterapia vermelha. Uma bomba que me tirava quase todas as forças. Pelo João, surgia força não sei de onde. Não queria que ele me visse mal. Não queria que ele tivesse qualquer lembrança, por menor que fosse, de mim doente. E hoje eu sou grata por essa doença ter aparecido quando ele ainda era um bebezinho.

"Gratidão" também foi uma palavra que não saia da minha cabeça. Mesmo antes de tudo isso acabar (e o meu tratamento também ainda não acabou), você também será grata. Isso porque a gente passa a reconhecer que a vida é um presente. E que tudo aquilo que temos é mais do que suficiente para sermos felizes! O tratamento nos revira do avesso e nos obriga a desacelerar: trabalho, carreira, metas, tudo fica pra depois. Eu estava num emprego novo quando recebi o diagnóstico. Eu tinha feito vários planos para o ano de 2018. De repente, o meu maior plano era me manter viva. E minha maior meta era comemorar o aniversário do João Vitor de 1 ano. Aprendi a viver um dia de cada vez e a comemorar todas as pequenas conquistas. Aprendi a ser feliz todos os dias.

Aprendi que não dá pra prever o futuro. E que, por isso, temos que viver o presente. Porque tudo passa! E somos nós quem escolhemos como queremos viver a vida. E eu torço muito para que a sua caminhada seja leve como a minha foi. E que por mais difícil que seja, não te falte fé e sorrisos no rosto."

Muito obrigada Michelle, você me inspira e me acalma todos os dias. Como você mesmo falou, tudo passar... já está passando!


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