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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Carta para Rafael - Cateter para quimioterapia, portinha da cura, amigo do peito.


Boa noite meu amor, ontem fiz mais uma sessão de quimioterapia usando o cateter e vou te contar o que é um cateter.

No primeiro dia de quimioterapia, o tio Enaldo olhou meus braços roxos pelos exames e falou: 

- "Os enfermeiros vão te indicar a colocação de um cateter para quimioterapia, ele é colocado no bloco cirúrgico, é totalmente implantado e pode ficar em você durante anos!" 

- "Colocar o que? Como assim? No bloco cirúrgico?" (pânico na minha voz)

Fui para o box receber a medicação e a Carlinha (fooofa), uma das coordenadoras de enfermagem me recebeu e comentou depois de olhar minhas veias: 

- "O Dr. Enaldo te falou sobre a colocação do cateter?"

- "Falou, mas não gostei da ideia, não gosto de cirurgias!" 

- "Vou te mostrar um, ele é VIDAAAA!" 

Passou um tempinho e ela chega com uma engenhoca redondinha com um caninho, que para mim lembrou um estetoscópio.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Carta para Rafael - Mamãe camaleão, família e amigos

Bom dia meu amor, você acabou de mamar quase tudo e acredito que os efeitos da vacina estão passando, porque você voltou a ter apetite!
As vezes você fica encantado olhando para meus "cabelos" coloridos enquanto mama e vou te contar o porquê deles estarem cada dia de uma cor!

Na primeira consulta com o tio Enaldo oncologista, um pouco antes de iniciar a quimioterapia, ele deu todas as orientações e falou dos possíveis efeitos colaterais. Falou que os cabelos iam cair com certeza.
Eu tinha ido ao salão, feito as unhas e uma escova bem linda para mostrar que estava mais que preparada para iniciar o tratamento. 
Naquele momento, já sabia que os cabelos iam cair e incrivelmente já tinha desapegado. No início ia deixar cair naturalmente, mas resolvi cortar curtinho para sentir menos a queda. 


Seu pai tinha certeza que eu ia ficar arrasada sem meus lindos cabelos longos e eu tinha certeza que não, mas mesmo assim ele quis mandar fazer uma peruca com meu cabelo. 
Engraçado que conversando com a tia Dani, que passou por um tratamento parecido com o meu, ela falou: 

"- Olha Cacau, o lance do cabelo é mais importante do que você imagina. A queda total deprime sua família. A peruca dá uma sensação de normalidade e a gente vai levando a vida."

A primeira vez que senti isso foi no salão um dia antes de iniciar a quimioterapia. Cheguei e contei para o tio Wilson que é meu cabeleireiro desde pequena o que estava acontecendo e que precisava de um corte curtinho, que não precisasse de escova e ele ficou muito chateado, tão chateado que nem despediu de mim direito. Na hora de ir embora, ele falou que precisava resolver um problema e saiu engasgado, eu sabia que ele ia chorar. 

"- Cabelo cresce!" 

Falei com ele, mas não adiantou. Ele ficou triste e sei que chorou outras vezes falando sobre o assunto, mas acredito que ele ficou triste por mim e nem tanto pelo cabelos. 

Com isso, resolvi poupar o tio Wilson de cortar meus cabelos e fui na NTC Soluções Capilares -  salão especializado em perucas para cortar e mandar fazer. 
Fui com a tia Lu e chegando lá encontramos com a tia Pri na porta esperando a gente. 
As meninas do salão são muito fofas e atenciosas, sentei na cadeira e comecei a contar o que estava acontecendo e fiquei engasgada, mas rapidinho me recompus, a tia Cíntia chegou em seguida e elas começaram a experimentar todas as perucas do salão e a fazer uma bagunça danada. Eu estava concentrada e achando muito legal a empolgação delas!



Deus coloca em nossa vida as pessoas certas e a presença delas ali fez toda a diferença, porque quando vi meu cabelo curtinho, gostei tanto que comecei a ficar com dó dele cair, acredita? Só eu mesmo! 
A dona do salão resumiu bem o momento com a frase: 

"- Quem tem amigos tem tudo!"  



Cheguei em casa me achando linda e a vovó e a tia Míriam deram um ataque quando me viram: 

"- Nossaaaa, você ficou lindaaaa! Rejuveneceu 10  anos!" 
 
"- Achei que você ia chegar aqui careca, ficou muito bom com o cabelo assim!" alívio na voz da vovó 

O tempo passou e fui buscar a peruca, o papai foi comigo, fomos em um outro cabeleireiro  especialista em corte de peruca e ficou linda, perfeita, mas por incrível que pareça, me olho no espelho com ela e lembro que estou fazendo tratamento. Sempre amei lenço e comprei vários, a vovó fez várias combinações e eu e você adoramos, porque você me olha sempre com uma carinha de: "mamãe, você está linda!"


O novo protocolo da quimioterapia não agride tanto o corpo e tem efeitos mais leves, a enfermeira falou que os cabelos vão voltar a crescer e já estou ansiosa para ter cabelos novos, Diz ela que no início vou ficar parecida com um Kiwi e comecei a achar os Kiwis lindos!





segunda-feira, 23 de julho de 2018

Carta para Rafael - Quimioterapia, efeitos e aniversário do vovô


Boa noite meu amor! Essa noite você vai dormir mais tranquilo? Na noite passada você deu trabalho porque ficou com saudades da vovó? Ela precisa ir na casa dela de vez em quando cuidar da tia Lu e do vovô também, nós não podemos ser egoístas!
Você sabe porque a vovó está ficando aqui com a gente direto? Vou te contar... 

A mamãe começou a fazer quimioterapia, fez a primeira no dia 15/06/18, era uma medicação vermelha e muito forte, dizem que pode dar muitos efeitos colaterais e a primeira semana é a mais complicada. 
A mamãe sentiu um pouco de enjoo, braços e pernas pesados e também faz os cabelos caírem, o da mamãe começou a cair com 13 dias.

Fase vermelha, quimioterapia, câncer de mama


Essa quimioterapia também pode fazer a imunidade baixar e a única recomendação do médico foi: 

- "A única coisa que ela não pode ter é febre acima de 37.8°, se isso acontecer, venha com ela imediatamente para o hospital." 

Mais ou menos 10 dias depois da quimioterapia comecei a ter calafrios e ao medir a temperatura:, 38.0°. Fomos para o pronto socorro e precisei ser internada, era uma terça feira e só podia ter alta se a medula respondesse bem e a imunidade voltasse ao normal. Para isso acontecer não podia mais ter febre e então decidi que a febre não ia voltar e a medula ia responder direitinho. No dia seguinte, sem medicação para estimular, a medula já estava respondendo e o tio Enaldo receitou uma medicação para estimular e responder mais rápido. Foi ótimo! 
A oncologia deu alta na quinta feira, mas ainda faltava a clínica que não deu alta porque apareceu uma bactéria no meu sangue e ainda faltava saber qual antibiótico a bactéria era sensível e se tinha oral.
A mamãe precisava receber alta até sexta a noite porque no sábado era aniversário de 90 anos do vovô e eu precisava ficar com você para a vovó e a tia Míriam poderem ir a festa. Como o vovô ainda não sabia de nada, também era muito importante nós dois irmos lá tirar foto com ele. 

Todos do hospital sabiam da situação e estava todo mundo aflito. Eu e seu pai não paramos em nenhum momento de pedir a Deus e a Nossa Senhora para dar tudo certo. Na sexta a tarde a médica entra no quarto e fala: 

- "Seu santo é muito forte, a bactéria é sensível a medicação oral, você vai receber alta." 

- "Meu santo é forte e Deus não falha!" 

No sábado, chegamos a festa e a mamãe começou a subir a escada com você no colo, foi quase impossível segurar o choro, eu só pensava: Obrigada meu Deus, obrigada por permitir que nós viessemos aqui hoje, obrigada meu Deus... 

Chegamos ao pé da escada e láaaa na frente estava a família tirando fotos, não vi direito quem estava lá, só vi a tia Nenha vindo na nossa direção com o olho cheio d'água e falei: 

- "Não chora!" 

Ela começa a chorar, me abraçou e falou: 

- "Maria Cláudia, que alegria te ver!" 

Pronto! Era tudo que a mamãe precisava para começar a chorar!

Lembro da vovó falando que não era para chorar, porque o vovô ia ver! Lembro que a tia Míriam Magalhães apareceu do nada, deu uma apertada no meu ombro e falou soprando meus olhos: 

- "Maria Cláudia, olha pra mim! Está tudo bem! Você está me ouvindo?" 

- "Estou!" 

- "Está tudo bem!" 

Engoli o choro e virei de costas dando de cara com o vovô que abriu um sorrisão e veio abraçar a gente. 
A tia Bruna que estava fazendo as fotos pegou o momento exato do encontro.

Cartas para Rafael, aniversário do vovô, 90 anos

 As outras fotos foram uma bagunça danada e muito legal. O vovô estava muito feliz mesmo. 

vovô fez 90, nós fomos

Depois das fotos fomos embora porque você ainda é muito pequeno para participar de uma festa dessa e o fato da mamãe ter recebido alta para estar em casa com você, foi a senha para a família inteira aproveitar a festa. 
Em relação a nós? Nós estamos aqui contando os dias para o aniversário de 100 anos, até porque já me garantiram que a festa de 100 vai ser bem melhor que a de 90.

efeitos da quimioterapia, tudo passa

Maria Cláudia Portes






terça-feira, 10 de julho de 2018

Carta para Rafael - 45 dias de muito amor, descobertas e acima de tudo, muita fé.

Boa tarde meu amor, como você passou o dia hoje com a vovó e com a tia Míriam? Mamou tudo e arrotou direitinho? 
Aqui no hospital está tudo bem, o médico acabou de falar que se eu continuar sem febre, vai me dar alta na sexta feira, então só temos mais um dia separados, tá? Aguenta aí e seja obediente! 

Vou aproveitar que o papai saiu para ir na farmácia e te contar tudo que aconteceu desde que você nasceu... 

cartas para rafael, diagnostico câncer de mama, isso também vai passar, nossa senhora devastadora dos nós

Apresentação: Maria Cláudia Portes e as cartas para Rafael!

Meu nome é Maria Cláudia Martins Ferreira Lisbôa Portes, esposa do Thiago, mãe do Rafael e da Arya (filha canina muito linda), taurina e veterinária.

Sempre tive um nome enorme e quando casei podia ter tirado algum para acrescentar o do marido, mas fiquei com medo de ter uma crise de identidade, então mantive meu nome e acrescentei o do marido me tornando mais princesa que nunca! (hahaha...) 👸🏼

Engraçado que sempre tive a vida planejada na cabeça, desde nova imaginava como seria minha roupa de 15 anos e meu vestido de noiva, me casaria com um Henrique e teria um filho, o Rafael. Seria veterinária e moraria em Brasília. De tudo, até agora só não moro em Brasília, mas meu sogro sim. Meu marido se chama Thiago Henrique e meu filho Rafael!