segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Carta para Rafael - Cateter para quimioterapia, portinha da cura, amigo do peito.


Boa noite meu amor, ontem fiz mais uma sessão de quimioterapia usando o cateter e vou te contar o que é um cateter.

No primeiro dia de quimioterapia, o tio Enaldo olhou meus braços roxos pelos exames e falou: 

- "Os enfermeiros vão te indicar a colocação de um cateter para quimioterapia, ele é colocado no bloco cirúrgico, é totalmente implantado e pode ficar em você durante anos!" 

- "Colocar o que? Como assim? No bloco cirúrgico?" (pânico na minha voz)

Fui para o box receber a medicação e a Carlinha (fooofa), uma das coordenadoras de enfermagem me recebeu e comentou depois de olhar minhas veias: 

- "O Dr. Enaldo te falou sobre a colocação do cateter?"

- "Falou, mas não gostei da ideia, não gosto de cirurgias!" 

- "Vou te mostrar um, ele é VIDAAAA!" 

Passou um tempinho e ela chega com uma engenhoca redondinha com um caninho, que para mim lembrou um estetoscópio.


Chegando em casa fui pesquisar sobre o assunto:

"Quando o médico indica a colocação de um Port (Cateter totalmente implantado), ele está visando segurança e qualidade para infusão de medicamentos durante o tratamento. Essa indicação varia de acordo com as condições de acesso venoso do paciente e do protocolo de quimioterapia a ser implantado.

O que é e para que serve?
É um dispositivo utilizado para administração de medicamentos e coleta de sangue. Uma opção segura e eficiente no manuseio de pacientes oncológicos.
É formado por um reservatório e um cateter. Esse reservatório tem formato cilíndrico ou cônico, podem ser feitos de silicone, plástico ou titânio.

Como é colocado?
Através de um procedimento cirúrgico simples, realizado pelo cirurgião vascular e é instalado após anestesia local. A duração costuma ser de 30 minutos a 1 hora e o paciente pode ter alta no mesmo dia. Se necessário, poderá até receber o medicamento logo após.
O reservatório fica logo abaixo da pele na região torácica. Pode ser utilizado para a administração de medicamento ou coleta de sangue, com agulha especial. A punção é feita por uma enfermeira, após assepsia rigorosa do local. Durante a punção, os pacientes sentem uma leve sensação de picada, que diminui gradativamente.

Vantagens:
- Durabilidade: até 2000 punções.
- Menor taxa de infecção.
- Evita punções frequentes.
- Conforto e mobilidade.
- Dispensa uso de curativos.
- Maior eficácia do tratamento, uma vez que não ocorrem episódios frequentes de flebites, trombose venosa e necrose por extravasamento da droga."


No meu caso, o procedimento foi feito com anestesia local e sedação, recebi alta e fui embora no mesmo dia. 
Eu estava muuuuito resistente a colocação do cateter, mas depois que internei por baixa da imunidade e perdi a veia umas 4 vezes, vi que a melhor solução seria criar coragem. 

O primeiro dia depois da cirurgia é chatinho, porque o curativo é muito apertado. Depois ele realmente vira vidaaaa, estou apaixonada por ele! 

Lembro que durante os exames, antes de iniciar a quimioterapia, cheguei a questionar se não existia algo para facilitar nossa vida e Deus me ouviu!

Coloquei o nome dele de Michelle em homenagem a uma amiga que está terminando um tratamento igual ao meu e tem me dado muito apoio, ela está sendo tão importante para mim quanto o cateter. 
Também costumo chama-lo de "portinha da cura" ou "amigo do peito". 
Ele é quase uma entrada USB que facilita muito nossa vida e não incomoda nada no nosso dia a dia. 
Não arrependo em nenhum momento de ter colocado e estou cada dia mais apaixonada por ele.




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