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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Livro “A onda azul - azul da cor do mar” - Uma onda de bons sentimentos



Pais de criança autista e escritora vão lançar livro infanto-juvenil que visa ajudar outras famílias a conviver melhor com o autismo.



As ondas do mar levam até a areia várias conchinhas que fazem a alegria de quem gosta de recolhê-las na beira da praia. Assim como as ondas, nós também podemos espalhar, por onde passamos, atitudes e sentimentos bons, como o respeito, o amor, além de levar conhecimento. É essa boa onda que o livro “A onda azul” pretende ser.

A obra foi escrita pela autora Marismar Borém junto com a Maira Alves e o Adriano Machado, que são os pais da Lalá e do Bê, um menino autista. A partir das experiências que vivem com o filho, eles decidiram contar uma história do Bê. “Meu esposo e eu percebemos a necessidade de ajudar os pais dos colegas do nosso filho a entender o autismo e sempre nos preocupamos em mostrar para as pessoas como esse transtorno muda a vida das famílias, mas também as permite vivenciar ricas experiências”, explica Maira Alves, mãe do Bê e coautora do livro.


quarta-feira, 11 de maio de 2016

quarta-feira, 16 de março de 2016

Desabafo de uma mãe azul

Há algumas semanas venho lendo coisas, ou desabafos de mães de crianças autistas no face. É incrível como meu face contém grupos e muitas pessoas desse mundo já que faço parte dele há exatos 4 anos!!! Tempinho bom, né? Enfim.....

Semana passada, quarta-feira, foi quando li o texto que mais me marcou. Fiquei pensativa por vários dias e resolvi escrever a respeito. O que venho aqui escrever é, especificamente, o que EU acredito e penso. 

Quando falo que Deus me presenteou com uma criança especial, meu guerreirinho Daniel, digo isso não por amar o autismo e sim por amar algumas características que foram "herdadas" através do autismo! Cada criança autista tem suas características certo?! Por isso coloquei o herdada entre aspas, como sendo uma brincadeira. Digo isso por que o Daniel é o que é graças ao que ele tem de especial. Complicado né?!!? Vou esclarecer.....

Uma criança dita típica, na idade do meu filho (4 anos), já fala, talvez escreva, sua coordenação motora é ótima, formula frases, sabe o brinquedo que quer, rasga o presente e entende o motivo. Sabe que presentes são dados em épocas específicas: aniversário, Natal e Páscoa. Sabe contar, sabe mostrar sua idade na mão. Quando alguém pergunta algo, sabe responder. Brinca com crianças mais novas de sua idade e até mais velhas. Sabe o nome dos animais e seus sons. Sabe subir e descer escadas e talvez saiba o que seja perigoso: tipo atravessar a rua sozinho, não falar com estranhos. Sabe se vestir, não usa fraldas. Sabe escolher sua roupa. Toma aquele banho sozinho (claro que no final os pais dão aquela conferida, mas o grosso eles fazem). Sabem o que querem. Dão birras não por pavor de alguma coisa e se for assim sabem explicar. Quando passam mal sabem falar aonde é a dor. Acreditam em Papai Noel e coelhinho da Páscoa! Nossa casa fica em festa com essas comemorações. Carnaval então, nem se fala!!! É confete, é serpentina, buzina, fantasia e espuma!!! E elas manejam tudo isso entendendo o que cada coisa significa! Elas comem, e quando não gostam não gostam! Exigem brinquedos do Mc Donald's . Sabem esperar em filas, lógico que tem algumas mais impacientes mas tudo bem! Amam assistir filmes infantis comendo pipoca e tomando coca cola! Se divertem em aniversários. Vão ao banheiro sozinhas. Tem algumas meninas que já fazem posts se maquiando, quanta evolução, caramba!!!!! Entendem tudo o que um professor fala. Entendem mesmo! Colocam o sapato sozinhas! Vários amigos, primos, tios querem passear com essas crianças!!! Elas são tão espertas ! Elas sabem ficar com raiva e brigar!!! Entendem quando alguém não gosta de seus pais  e tomam as dores, dentre várias outras coisas. Agora vou abrir a vida de meu filho pra vocês.

Daniel tem 4 anos. Daniel não sabe desenhar, nem uma bola. Não se interessa por papel, nem lápis, nem cola colorida. Brinco, TODOS OS DIAS, com um dominó que associa números e animais, mas não sabe contar e colocar as peças aonde devem ser colocadas. Eu estou ainda ensinando a ele os números, isso já tem meses. Ele não se interessa por bonecos, não sabe brincar de brincadeiras lúdicas. Não sabe a finalidade de um avião, ou de um carro. Bicicleta, nem sabe pedalar, nem de rodinha. Não sabe expressar sentimentos. Não fala, aliás, algumas palavras ele fala e aqui em casa fazemos uma festa. Não sabe me dizer quando está com dor e muito menos aonde. Sentou com 9 meses, engatinhou com 1 ano e 2 meses, andou com 1 ano e 6 meses. Suas passadas não são seguras, por isso cai as vezes. Não consegue subir escadas e nem descer sozinho. Tem várias manias "esquisitas". Lugares fechados? Odeia! Parece que lhe falta ar. Ama ir ao supermercado, mas não pra comprar e sim pra ficar observando as luzes lá no alto. A única coisa que ele gosta é do pão de queijo e do pão de sal, por que é da rotina dele. Toda vez que vai ao supermercado temos que dar seu pão de queijo ou o pão francês senão é uma gritaria doida, rs.

Quando mudo o percurso de seus atendimentos se sente incomodado, e reclama. Não consegue entender que estamos indo pro mesmo lugar, apenas fizemos outro caminho. Não sabe cores. Se mudar sua rotina, é nítido que seu humor muda. Desde meses toma remédio, então essa história de que criança não consegue tomar remédio, não existe aqui em casa. Tive que ensinar a ele que sem seu remédio ele não sobreviveria, inclusive sabe os horários e quando vou chegando perto ele já vai abrindo a boca. Não gosta de aniversários, nem de parabéns, mas se tiver cama elástica fica horas. Ama andar de carro, parece que fica pensando na morte da bezerra, rs!

Aqui em casa é uma festa a cada pequena, que para nós é uma grande conquista. Quando ele começou a andar fomos comemorar na pizzaria. Não sabe a diferença entre uma pessoa mal educada ou nervosa, de uma pessoa alta ou baixa, ruiva ou loira, chata ou legal! Pra ele todos são tata ou titia. Ele ama beijar, beija pessoa, cachorro, papagaio e cavalo. Seu olfato é aguçado, logo cheira tudo e todos. A comida se ele não gosta já sabe pelo cheiro, nem precisa ir para boca. Não sabe jogar bola, muito menos serpentina. Não se interessa por filme, seus desenhos são restritos. Não sabe se vestir, ou tomar banho. É um adorador de água. Usa fralda. Não sabe o dia do seu aniversário e não entende datas comemorativas. Sua semana é mais agitada que qualquer pessoa em época de eleição. Tem aula, tem natação, judô, equoterapia, TO, fono e terapia. Ama a batata do Mc Donald's, mas nem liga pra brinquedos. Não conversa com ninguém na rua. Não sabe distinguir calça, de bermuda, de blusa, de calçado. Enfim, poderia também passar a madrugada inteira falando, mas é isso.

O porquê escrevi tudo isso?

Eu não amo o autisto, mas sou loucamente apaixonada pela pureza de meu filho. Ele pode não saber ou entender muita coisa. Mas ele ama a todos, ele beija a todos, ele não faz distinção de nada, nem compara ninguém. Eu posso acabar de brigar com ele que passam 3 minutos ele já vem me beijar!!!! Ele pode não ser comunicativo, mas ele é amoroso, carinhoso, meigo, singelo. Ele dá a mão a qualquer um. Ele beija qualquer animal. Eu amo e me admiro pelo o que ele é. Ele, com certeza, me fez ver o mundo de outra forma.

Eu e meu filho temos batalhas diárias! A minha vida não é um mar de rosas. Quando escrevo aqui de viagens, carnavais, que tudo ocorreu bem, estou falando a verdade. Mas nada é simples. Sempre tem as crises. A vida de Daniel é tipo assim: 1 passo pra frente, alguns pra trás, as vezes fica na mesmice e por ai vai!!!! Me fortaleço nos grupos que tenho, nas amizades que adquiri nessa caminhada e na doçura de meu filho.

Quando li o relato de uma mãe que disse que odiava ser mãe azul, consequentemente, o autismo, e pedia que respeitassem a decisão dela, fiquei muito sentida. Acredito que ninguém ame o autismo, que não seja fácil os olhares de estranhos quando seu filho faz algo diferente do normal. Que não seja fácil criar uma criança atípica. Mas acredito também que todos, digo TODOS tem a estranha mania de ter fé na vida! Todos são puros e vieram a esse mundo pra ensinar algo. Nada é 100 por cento ruim ou bom.

Então por isso resolvi escrever isso tudo. Para que pessoas que tem filhos especiais que passassem a olhar de outra forma seus filhos. Que familiares entendessem mais o que passamos, que dessem força para nossas lutas. Para que todos queiram aprender algo com nossos filhos. Que a paciência e o interesse de qualquer pessoas exista, quando se trata de pessoas especiais. Não acredito que devemos obrigar nossos filhos a conviver com esse mundo! Acredito que o mundo deles seja mais limpo, mais humano, mais amoroso. Vamos repensar
.
Um enorme beijo a todos, reflitam e fiquem com Deus!!!!
Beijo e até!

Déborah Gouvêa