terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Tenossinovite de Quervain - Mais comum do que você imagina!


Entrei no consultório do ortopedista e relatei dor no pulso. Ele nem me olhou e perguntou: "Qual a idade do seu filho?". Claro que não entendi a pergunta,  mas respondi que ela tinha 7 meses. Então,  ele me explicou que todos os sintomas que eu tinham se relacionava à "tendinite da gravidez".


Pesquisei bastante e descobri que a tendinite, tenossinovite ou síndrome de De Quervain é uma inflamação na membrana que recobre o tendão do punho, conhecida como bainha tendinosa (estrutura que forma pontes ou túneis entre as superfícies ósseas sobre as quais deslizam os tendões). O processo inflamatório da bainha causa a diminuição do seu espaço, comprimindo os tendões.
Resumindo: dói!

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Tendinite, tenossinovite ou síndrome de De Quervain - Imagem retirada da internet

Embora a tendinite de De Quervain esteja associada a movimentos repetitivos do punho e da mão (qualquer atividade como jogar tênis, mexer no celular ou pegar num bebê), lesões, distensões... também existem outras condições que predispõe ao desenvolvimento desta inflamação, como a gravidez, o puerpério, diabetes, gota, hipotireoidismo, artrite, tuberculose, reumatismo, alterações hormonais, distúrbios imunológicos... Mas, em muitos casos, não há uma causa bem definida.

Bem, tenho hipotireoidismo e a gravidez causa alterações hormonais. Juntou os dois e eu descobri uma doença nova! Rsrssrsrs
A maioria dos casos atinge mais frequentemente a mão dominante. Porém, não raramente, a síndrome de De Quervain pode ser bilateral (atingindo as duas mãos, como foi o meu caso).

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Tendinite atacou os dois pulsos
Sintomas
O principal sintoma da tendinite de De Quervain é a dor, podendo ser acompanhada de inchaço e dificuldade de realizar movimentos.
Com o avanço da doença o paciente tem dificuldade para segurar objetos que exijam a posição de pinça do polegar (torcer roupa, abrir porta, abrir latas, segurar xícara, segurar um bebê...)

Certa vez, meu marido estava no banheiro e minha filha rolou na cama. "Dei um peixinho" e a peguei no ar, pouco antes que caísse no chão. A peguei e comecei a gritar pelo meu marido, pois eu simplesmente não conseguia segurar minha pequena.
Em outra ocasião, a joguei no sofá, por não ter força para sustentar o peso do corpinho. Tentei pegar, não consegui e a joguei no sofá pra que não caísse no chão.
Sem contar as inúmeras vezes que tive que pedir que a pegassem e me entregassem no colo, comigo sentada.


Diagnóstico
O diagnóstico da tendinite de De Quervain é essencialmente clínico e o médico identifica a potência dos movimentos e a intensidade da dor. E confesso, que é bem doloroso. O médico apalpa (dói muito só de encostar), segura o polegar e faz uns movimentos com ele e com a mão, dobra o polegar na palma da mão, dobrar os dedos para baixo em cima do polegar e vira o punho para o lado do dedo mindinho... Resumindo, dói!
Dói tanto que às vezes sentimos no antebraço e até no cotovelo, ficando mais difícil para nós sabermos exatamente de onde vem a dor.


Tratamento
A tendinite de De Quervain tem cura com o tratamento adequado e o tratamento é mais eficaz se realizado nas primeiras 6 semanas após o inicio os sintomas. Portanto, começou a sentir dor, corre para o médico!!!

Tratamento 1:
A primeira coisa a ser feita consiste na eliminação da inflamação dos tendões afetados: o médico costuma prescrever medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios, proporcionando assim alívio da dor e recuperação da mobilidade e da função.

Tratamento 2:
Está junto à medicação: consiste em fazer repouso de atividades que desencadearam a doença. Para facilitar esta tarefa, podemos recorrer ao uso de tala, cinta ou até mesmo gesso, imobilizando o punho e o polegar. Como os movimentos ficam limitados, favorece a recuperação.
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Eu usei isto para imobilização
Nos casos mais resistentes...
Tratamento 3:
Um tratamento pode ser feito com um fisioterapeuta para aliviar os sintomas, fortalecer o músculo e limitar a irritação do tendão. Mesmo aliviando a inflamação, raramente a fisioterapia é eficaz de forma isolada. Portanto, costuma-se repetir os tratamentos 1 e 2 durante o tratamento fisioterapêutico.

Tratamento 4:
O médico pode optar por fisioterapia, infiltração ou os dois.
A infiltração local (injeções) com corticoides podem ser aplicados na bainha do tendão para que haja a redução do inchaço.
Fiz infiltração nos dois pulsos e não senti dor. Fui ao pronto socorro (em um médico especialista em cirurgia de mão indicado pelo ortopedista que eu havia ido) com minha filha de 7 meses. Conversei com ele, falei tudo que já havia feito (incluindo remédio e imobilização) e ele optou por este procedimento.
Enquanto uma enfermeira cuidava da Anninha, o médico aplicou anestesia e depois o corticoide. Então, enfaixou meus pulsos e pediu repouso (me proibiu de segurar a filhota no colo). Como estava só nós duas, de ônibus, pedi a enfermeira que a prendesse em mim com o sling (ainda bem que o levei) e fui caminhando até onde meu marido trabalha. De lá para casa, ele ficou com ela e teve que cuidar dela nos dias de repouso. Eu a pegava apenas para amamentar, apoiando nos braços.
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Pós infiltração

Para os casos bem resistentes...
Tratamento 5:
Quando a dor persiste após o período tratamento ou nos casos com grave comprometimento das atividades diárias, a cirurgia é o tratamento de escolha.
O médico sugeriu que eu fizesse, já que não estou 100% recuperada, mas como eu consigo fazer todas as minhas atividades, preferi não fazer. Ele me explicou que a cirurgia consiste em abrir a bainha fibrosa por onde os tendões passam, liberando a pressão para que o tendão possa deslizar livremente, acabando com a inflamação e com a dor.
Ele disse que a cirurgia é bem simples e rápida, com poucos riscos. Os pontos e a imobilização costumam ser removidos entre o 10º e o 12º dia de pós-operatório. Após isso, o paciente deve regressar progressivamente às suas atividades normais. A fisioterapia pode ser útil para fortalecer o músculo e evitar futuros problemas.


Agora, grávida pela segunda vez, me arrependo de não ter feito a cirurgia. Os hormônios começaram a mudar e já estou sentindo mais dor e dificuldade nos movimentos. Estou com muito medo de ter problemas para cuidar do novo bebê, problemas maiores do que tive na primeira gravidez...
Mas agora, tudo que resta a fazer é esperar!

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Apareceu um "ovo" durante a segunda gravidez


Atenção! 


NUNCA se automedique ou interrompa o uso de um medicamento sem antes consultar um médico. Somente ele poderá dizer qual medicamento, dosagem e duração do tratamento é o mais indicado para o seu caso em específico. 


@minhas24horas




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2 comentários:

  1. Respostas
    1. Não precisei. Durante a segunda gravidez, fiquei muito mal. Depois que ela nasceu, doía e eu tinha dificuldade em fazer algumas coisas. Agora, 6 meses após o nascimento, está super tranquilo e praticamente não sinto dor!

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