sexta-feira, 28 de junho de 2019

Hipoplasia e hipocalcificação de esmalte dentário


Nina faz acompanhamento odontológico preventivo regular, na Mr. Clean Odontologia e Saúde, e durante a jornada do nascimento dos dentes de leite foi diagnosticado que ela tem hipoplasia. Fazemos o acompanhamento desde a identificação e recentemente precisamos fazer uma selagem para proteção dos dentinhos. Conversando sobre este assunto em grupos maternos vi que nem sempre o diagnóstico desse acometimento é feito em tempo adequado, bem como, algumas pessoas nunca ouviram falar a respeito.

Sendo assim convidei a Odontopediatra, Dra. Mariana de Oliveira Castro, da clínica Mr. Clean Odontologia e Saúde, para escrever sobre o assunto para nossas leitoras do Mamãe Sortuda. E aproveito a oportunidade para reforçar a necessidade do cuidado odontológico familiar! Cuidar dos dentes é uma ação de saúde que deve ser inserida desde sempre na programação de saúde familiar!







Vamos então conhecer mais sobre hipoplasia, hipocalcificação de esmalte dentário?

"Todos os dias me chegam aqui na clínica crianças com dentes em formatos e colorações diferentes. Geralmente, são crianças com boa higienização (na medida do possível para um pequeno né?!), com um dentinho aparentando coloração acastanhada, ás vezes já com uma pequena cavidade (um buraquinho), mas sem necessariamente, já apresentar uma lesão de cárie. 

As mamães preocupadas chegam ao consultório cheias de dúvidas e com o objetivo de melhor esclarecê-las, hoje vamos falar sobre defeitos na formação do esmalte dentário: hipoplasia e hipocalcificação. 

Nossos dentes são revestidos por uma camada dura e forte chamada esmalte. Vez ou outra, durante a sua formação ocorre alguma interferência gerando assim, as anomalias de esmalte. As mesmas podem causar alterações na cor, pequenas linhas brancas em vários dentes, ou em casos mais severos, alguma “falta” de parte do dente. Sabe-se que elas podem atingir tanto a dentição decídua como a permanente podendo acomenter apenas um elemento dental ou vários, dependendo da gravidade. 

De acordo com a Federação Dentária Internacional (1992), anomalias do esmalte podem prover de defeitos quantitativos ou qualitativos. Nos qualitativos, têm-se esmalte com espessura normal porém, apresentam uma translucidez maior, assim os casos com essa característica chamamos de hipomineralizações. Já nos quantitativos ocorre diminuição considerável na espessura do esmalte formado em decorrência de deposição deficiente ou incompleta desse esmalte, o que denomina-se hipoplasias. 

Mas quando isso ocorre? 

Sabe-se que a mineralização dos primeiros molares e incisivos permanentes tem início ao término do período gestacional e dos molares decíduos começa por volta da sexta semana de vida intra-uterina. Passados quatro anos, nesse meio tempo alguns fatores de risco podem predispor a alterações que ocasionarão as hipocalcificaçoes ou hipoplasias. Dentre esses fatores, têm-se: presença de doenças respiratórias e de complicações no período perinatal; prematuridade; baixo peso ao nascimento; febre na primeira infância; uso de antibiótico em algumas doenças; catapora; asma e deficiência de oxigênio. Segundo as afirmações da Academia Européia, o quadro médico presente durante a fase de desenvolvimento natal, perinatal e pós-natal das crianças somado a fatores ambientais, por exemplo, ausência de água fluoretada) repercutem sistemicamente, podendo contribuir para o surgimento da hipomineralização. 

Como identificar que meu filho pode ter hipoplasia ou hipocalcificação dental? 

Crianças que apresentam manchas brancas ou coloração acastanhada em incisivos centrais, caninos decíduos, e/ou molares com uma forma diferente, esmalte rugoso e cheio de pequenas imperfeições, geralmente aparecem como se fosse um “dente quebrado”, podem estar sim com hipocalcificação. Queixam-se também de sensibilidade ao ingerirem alimentos quentes ou frios. Em casos mais graves, dores ao mastigar,pois a dentina (estrutura interna do dente que fica logo abaixo do esmalte) já encontra-se exposta. 

Tal condição preocupa os odontopediatras, uma vez que, crianças com hipoplasias e ou hipocalcificações, se tornam mais susceptíveis a lesões cariosas e em casos muito severos, pode ser indicado tratamento endodôntico (canal) ou a perda precoce do dente.



Fotos do acervo da Dra.Mariana


Como tratar essa condição? 

O tratamento deve ser feito já na consulta de visita ao dentista. É importante que se proceda o diagnóstico precoce e correto da hipoplasia e hipocalcificação, baseando-se na realização de anamnese detalhada, que possibilite a suspeita da existência de possíveis doenças no período da infância que pode estar associada ao defeito de esmalte. 

Em casos leves opta-se pelo selamento de fissuras. Nessa situação exames clínicos e radiográficos denotam inexistência de lesão de cárie (foi o tratamento preconizado na Nina). Nos de moderada intensidade escolhe-se restaurar com resina composta ou com cimento de ionômero de vidro. Em situações com maior severidade em que se pode ter partes do dente completamente envolvidas ou com comprometimento da polpa dentária, trata-se com restaurações, tratamentos endodônticos e exodontia. 

Queridos papais e mamães, esse texto veio enfatizar como é importante a visita ao dentista desde o período de gestação. As crianças que são acompanhadas desde cedo, tendem a ter menor incidências de lesões cariosas, além de prevenir quaisquer danos aos dentes decíduos e permanentes. 

Afinal é muito melhor prevenir que remediar! 

Quaisquer dúvidas, é só nos procurar! 
Grande abraço. 
Dra. Mariana de Oliveira Castro 


Referências bibliográficas usadas nesse artigo: 

Oral abnormalities in preterm and low birth weight infants: the importance of the relationship between pediatricians and pediatric dentists Michele Baffi Diniz1 , Cármen Regina Coldebella2 , Angela Cristina C. Zuanon3 , Rita de Cássia L. Cordeiro3 

Shulman JD. Is there an association between low birth weight and caries in the primary dentition? Caries Res 2005;39:161-7 

Defeitos do esmalte: etiologia, características clínicas e diagnóstico diferencial Enamel defects: etiology, clinical characteristics and differential diagnosis Isabela Albuquerque Passos* Jacqueline Danielly Moema Chaves da Costa** Jussara Marinho de Melo** Franklin Delano Soares Forte*** Fábio; Correia Sampaio*** 

Seow KW. Clinical diagnosis of enamel defects: pitfalls and practical guidelines. Int Dent J 1997; 47:173-82 

Prevalência de defeitos de esmalte e sua relação com cárie dentária nas dentições decídua e permanente, Indaiatuba, São Paulo, Brasil. Hoffmann,R.H.S; SOUSA,MLR;CYPRIANO,S; 

PEREIRA, M. F., & GRUBISIK, S. R. J. (2019). PREVALÊNCIA DE HIPOPLASIA DE ESMALTE DENTÁRIO EM BEBÊS DE CRECHES DA REDE PÚBLICA DE ARACAJU-SE–(UNIT. SE) 

IMBRIANI, Maria Júlia Mancim et al. Critérios para tratamento estético em paciente com hipoplasia molar incisivo (MIH). Revista de Odontologia da UNESP, v. 47, n. Especial, p. 0-0, 2019 

SPEZZIA, Sérgio. Hipomineralização molar incisivo em odontopediatria: considerações gerais. Journal of Oral Investigations, v. 8, n. 1, p. 100-113, 2019"


Agradeço à Dra. Mariana de Oliveira Castro pelo carinho em escrever para o nosso blog!
Se você tiver alguma dúvida poste nos comentários!

Um abraço e um sorriso lindo!



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